Descobriram um continente que afundou sob o Índico há 200 milhões de anos
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Descobriram um continente que afundou sob o Índico há 200 milhões de anos

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Você já ouviu falar a respeito do supercontinente Gondwana? Basicamente, ele consistia em uma imensa massa continental que, há cerca de 200 milhões de anos, começou a se fragmentar dando origem à África, Índia, Austrália, América do Sul e Antártida. No entanto, de acordo com Jason Daley, do portal Smithsonian.com, parece que outro continente também foi formado durante essa dramática separação — mas acabou indo parar no fundo do Índico.

Fragmentação do supercontinente Gondwana

Segundo Jason, a descoberta aconteceu enquanto geólogos da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, realizavam um estudo nas Ilhas Maurício — país insular localizado no sul do oceano Índico, a leste de Madagascar — e “tropeçaram” com minerais de 3 bilhões de anos na superfície da ilha. A idades dos minerais, chamados zircão, surpreendeu os cientistas, já que Maurício mesmo não passa dos 9 milhões de anos.

Continente perdido

Os geólogos encontraram os minerais enquanto estudavam rochas depositadas na superfície da ilha durante um antigo período de vulcanismo. Na verdade, os cientistas estavam mesmo de olho nos zircões, já que eles são capazes de sobreviver à passagem do tempo por bilhões e bilhões de anos e, portanto, podem ajudar na datação das rochas com precisão. O que os pesquisadores não esperavam era encontrar minerais tão antigos em uma ilha tão jovem.

Um dos zircões de 3 bilhões de anos encontrados em Maurício

Conforme explicou Jason, os geólogos acreditam que Maurício se formou sobre um antigo fragmento que fazia parte de Gondwana — um minicontinente conhecido como “Mauritia” que possivelmente tinha um quarto do tamanho de Madagascar. No entanto, quando a placa índica e o bloco de Madagascar começaram a se separar, Mauritia acabou de desintegrando e se espalhando pelo oceano Índico.

Então, a atividade vulcânica da região acabou soterrando esses fragmentos do minicontinente sob uma espessa camada de lava, e os zircões que os geólogos encontraram são remanescentes dessa antiga crosta que foram trazidos de volta até a superfície da ilha pelo vulcanismo do local ao longo dos anos.

As buscas continuam

Na verdade, de acordo com Bryan Nelson, do portal Mother Nature Network, em 2013, um estudo também identificou zircões nas praias de Maurício, mas a pesquisa acabou sendo desconsiderada porque, na ocasião, foi levantada a possibilidade de que os minerais tivessem sido levados até lá pelo vento ou, ainda, por turistas visitando a ilha.

Um dos geólogos do time

Já no estudo atual, os cientistas tomaram todos os cuidados para evitar a contaminação com outros minerais e concluíram que os zircões só poderiam ter se originado mesmo a partir de uma erupção vulcânica.

O mais interessante é que esse pode não ser o único continente “perdido” que existe na Terra. Isso porque, em 2011, cientistas encontraram evidências de um microcontinente que existiu no litoral da Escócia durante cerca de 1 milhão de anos. Ademais, em 2015, pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, encontraram indícios que sugerem que a Islândia também pode ter se formado sobre um antigo fragmento que um dia fez parte da Groenlândia.  

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