5 aspectos que tornavam os cavaleiros medievais guerreiros pouco eficientes
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5 aspectos que tornavam os cavaleiros medievais guerreiros pouco eficientes

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A maioria das pessoas acredita que os antigos guerreiros medievais eram incrivelmente poderosos, astutos e destemidos. Entretanto, conforme apontou Gleb Oleinik, do portal ListVerse, embora os icônicos cavaleiros da Idade Média tenham tido um papel fundamental na História, a verdade é que eles não eram o que podemos chamar de combatentes supereficientes. Veja a seguir algumas razões disso:

1 – A logística

Se hoje em dia fornecer suprimentos, abrigo, armamento e facilitar a movimentação de exércitos em território inimigo não são tarefas nada fáceis, imagine a dificuldade na Idade Média! Afinal, além de o poder ser descentralizado — lembra que os domínios se organizavam em feudos? —, complicando a vida dos governantes na hora de reunir recursos para as guerras, os cavaleiros nunca viajavam sozinhos e sempre levavam parafernálias com eles.

Conforme apontou Gleb, os cavaleiros sempre tinham seus escudeiros a tiracolo, que, por sua vez, eram responsáveis por carregar armaduras e cuidar dos cavalos. Além disso, normalmente cada cavaleiro levava ao menos dois animais nas campanhas — um para as viagens e o outro para os combates. Isso significa que, além de alimentar os guerreiros, os exércitos medievais tinham que suprir as necessidades de um batalhão de animais e ajudantes.

Para piorar, os cavalos, como você sabe, precisam pastar, o que significa que o avanço das tropas era comprometido pelas necessidades dos animais, especialmente quando as guerras ocorriam no inverno ou em países com clima árido — como foi o caso das Cruzadas.

2 – O custo

Enquanto você lia o item acima, você chegou a se perguntar sobre o custo dessa brincadeira toda? Não é segredo que as guerras custam caro — muito caro! —, e na Idade Média não era diferente. Pense nas elaboradas armaduras, espadas, escudos e nos poderosos cavalos dos guerreiros medievais...

Segundo Gleb, no caso dos cavaleiros ingleses, por exemplo, em meados do século 13, os “equipamentos” de batalha estavam estimados em 32 libras, o equivalente ao salário de 10 anos de um arqueiro. Sem falar que os cavalos de batalha podiam chegar a custar até £ 300! Em contrapartida, o custo de manter um arqueiro era 4% do total investido em um cavaleiro — enquanto os artesãos medievais ganhavam apenas algumas libras em todo o ano.

Assim, com o custo de manter um único cavaleiro medieval, era possível equipar uma dúzia de soldados ou arqueiros ou, ainda, contratar soldados de cavalaria pesada pela metade.

3 – A falta de liderança militar

Não é que os cavaleiros medievais não tivessem líderes. O problema é que, muitas vezes, os homens que lideravam os exércitos não tinham experiência bélica — e, frequentemente, não passavam de membros da nobreza em busca de fama e glória. Assim, era comum que os guerreiros fossem enviados para as batalhas sem que detalhes como estratégias, terreno ou até o resultado de combates anteriores fossem considerados.

Além disso, outra questão problemática era a estrutura de comando, porque os reis dependiam financeiramente de nobres poderosos, e esses, por sua vez, muitas vezes levavam seu próprio grupo de cavaleiros para as guerras. Assim, nem sempre era possível controlar as tropas como uma entidade única, e não era raro que determinados nobres resolvessem agir por conta, gerando uma série de conflitos entre os integrantes de um mesmo exército.

De acordo com Gleb, em alguns casos, os soldados tinham a sorte de ter como líder figuras como o Rei Eduardo III da Inglaterra, que transformou o país em uma das maiores potências militares da Europa. Mas, no geral, esse não era o caso, não!

4 – A falta de padrão

Os cavaleiros medievais eram o equivalente aos soldados profissionais que temos hoje em dia e passavam boa parte do tempo desenvolvendo e treinando suas habilidades — como usar os mais diversos tipos de armas, dominar técnicas de montaria, lutar com armaduras etc. Além disso, os cavaleiros participavam de torneios quando não estavam guerreando, o que permitia que eles mantivessem suas aptidões em dia.

Contudo, segundo Gleb, apesar de tanta prática, não existia um sistema de treinamento padrão para “habilitar” cavaleiros, e, uma vez que um sujeito conquistasse esse título, ele era o responsável por dar continuidade ao seu desenvolvimento militar. Portanto, quando os soldados eram reunidos para partir para as guerras, além de terem diferentes estilos de luta e especialidades, os níveis de habilidades eram muito distintos.

Isso podia ser um grande problema no caso de um grupo de cavaleiros precisar enfrentar um exército que tivesse seguido um regime de treinamento estrito e sido preparado para combater e funcionar como uma unidade. Afinal, esse tipo de prática era não só vital para o desenvolvimento de habilidades militares, mas também garantia de que os soldados mantivessem um mesmo nível e pudessem trabalhar juntos.

5 – Os malditos arqueiros

Embora os cavaleiros medievais fossem imponentes, pomposos e partissem para as batalhas equipados com suas indumentárias reluzentes, os arqueiros — aqueles caras que “custavam” muito mais barato para os exércitos — eram seus pesadelos. Isso porque, apesar de toda a parafernália que eles vestiam, os cavaleiros eram extremamente vulneráveis às flechas lançadas por seus colegas.

De acordo com Gleb, as cotas de malha (que você pode ver na imagem a seguir), por exemplo, podiam ser perfuradas por flechas lançadas a 180 metros e, considerando que um arqueiro habilidoso era capaz de disparar uma média de 12 flechas por minuto, isso significa que os cavaleiros podiam ser abatidos muito antes de se aproximarem do inimigo.

Sem falar que, mesmo quando não atingiam os cavaleiros, os arqueiros ainda podiam acertar os cavalos. Tudo bem que a introdução das armaduras ajudou bastante, mas, mesmo assim, os cavaleiros continuaram sendo alvos frágeis — principalmente depois que uma nova arma entrou em cena: a besta.

As bestas eram capazes de atravessar as chapas de metal que compunham as armaduras; assim, não é a toa que os cavaleiros não fossem nem um pouco fãs dos arqueiros e se referissem às suas armas como sendo covardes e desonrosas. Ademais, nenhum homem “bem nascido” curtia a ideia de ser morto por um cidadão qualquer que soubesse manejar o arco e flecha, e nos séculos 11 e 12 a nobreza inclusive tentou banir o uso dessas armas.

Bem nascidos ou não, o fato é que esses guerreiros eram letais e extremamente eficazes — e os arqueiros ingleses que lutaram durante a Guerra dos Cem Anos na França se tornaram especialmente famosos. Apesar de serem numericamente inferiores às tropas francesas (reforçadas por incontáveis cavaleiros), as forças britânicas conseguiram conquistar importantes vitórias graças aos habilidosos arqueiros, como foi o caso da Batalha de Crécy, Poitiers e de Agincourt.

*Publicado em 7/1/2016

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