5 dos julgamentos de bruxaria mais infames da História
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5 dos julgamentos de bruxaria mais infames da História

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1 – Petronilla de Meth

Petronilla de Meth foi a primeira mulher britânica da História a ser sentenciada por heresia, sendo condenada à morte em meados do século 14. Ela servia à nobre irlandesa Alice Kyteler, que foi acusada pelo Bispo de Ossory de praticar feitiçaria e de se dedicar a atividades demoníacas depois da morte de seu quarto marido — e Petronilla foi apontada como cúmplice de sua senhora.

Fonte: The Witch, The Weird, and The Wonderful

A nobre foi incriminada de praticar a bruxaria — e matar seus maridos — para obter riqueza, mas foi a pobre Petronilla quem acabou sendo presa e cruelmente torturada. A serviçal acabou “confessando” que ela e sua senhora aplicavam substâncias mágicas em uma viga de madeira para poder voar e foi forçada a proclamar publicamente que Alice e seus seguidores eram todos bruxos.

No fim das contas, os “seguidores” mencionados pela serviçal foram presos e chicoteados, e alguns chegaram a ser queimados vivos na fogueira — incluindo Petronilla. Já — a bruxa ou serial killer, você decide! — Alice conseguiu fugir para a Inglaterra com a ajuda de alguns familiares e levou consigo a filha da empregada, Basilia, que foi criada por ela como se fosse sua.

2 – Os Julgamentos de Trier

Os Julgamentos de Trier aconteceram na Alemanha entre os anos de 1581 e 1593 e são considerados alguns dos maiores exemplos de caça às bruxas da história europeia. O caso teve início em uma diocese na região rural de Trier, que fica perto da divisa com Luxemburgo, mas não demorou a chegar até a cidade, onde as investigações passaram a ser comandadas por Johann von Schöneburg, o Arcebispo local.

Fonte: Streets of Salem

Schöneburg tinha fama de ser um tirano cruel e, assim que assumiu seu posto, passou a perseguir judeus, protestantes e, claro, os praticantes de bruxaria. Assim, durante o período em que os julgamentos foram conduzidos, cerca de 368 pessoas — incluindo nobres e respeitados membros da comunidade, como párocos, professores e juízes — foram executadas.

De acordo com os registros históricos, os condenados pertenciam a 22 vilarejos da região e, em alguns casos, cidadezinhas inteiras foram dizimadas. Para você ter uma ideia, segundo os documentos, de duas localidades, restou apenas uma sobrevivente — todos os demais habitantes foram executados. O pior é que esse número não inclui pessoas que foram mortas em áreas rurais mais isoladas, e alguns historiadores sugerem que o total real de vítimas chegue a 1 mil.

3 – As Bruxas de Paisley

O caso das Bruxas de Paisley aconteceu na Escócia no final do século 17 e teve início depois de uma menina de 11 anos de idade, chamada Christian Shaw, acusar vários habitantes de Paisley de bruxaria. Segundo os relatos, a garota começou a apresentar diversos sinais de possessão demoníaca, como tossir coisas estranhas — entre elas, carvão, ossos, cascas de ovo, cabelos e excrementos —, e teve gente que inclusive teria visto Christian voar.

Fonte: Atlas Obscura

A menina atribuiu a culpa a diversos habitantes da cidade, e cerca de 30 indivíduos foram investigados por suspeita de praticar bruxaria. Um total de sete pessoas — quatro mulheres e três homens — foram incriminadas, e seis delas acabaram sendo executadas. O sétimo acusado, um dos homens, cometeu suicídio em sua cela. Também, pudera...

Primeiro, os condenados foram enforcados e, depois, seus corpos foram jogados para queimar na fogueira. No entanto, uma das mulheres, antes de ir para a forca, olhou para a multidão e lançou uma maldição contra os presentes e seus descendentes. Por conta disso, a sepultura da “bruxa” foi selada com uma ferradura e, até hoje, o amuleto marca o local onde a acusada foi enterrada — por precaução...

4 – Família Pappenheimer

O caso da Família Pappenheimer, composta pelo casal Paulus e Anna, e seus filhos Hansel, Michel e Gumpprecht — que tinham 10, 20 e 22 anos, respectivamente —, aconteceu no início do século 16, na Alemanha. Os cinco viviam na Bavária e eram muito pobres, ganhando a vida limpando privadas e pedindo esmolas, até que foram presos por conta de acusações bem vagas relacionadas a crimes pequenos.

Fonte: emaze

Para o azar da família, as estradas da região haviam se tornado locais bem perigosos — onde os assaltos e assassinatos eram frequentes —, e o Duque da Bavária decidiu usar os Pappenheimer como exemplo. Então, os pobres coitados foram interrogados sob tortura, e Hansel, o garotinho de 10 anos, acabou confessando que ele e seus familiares eram bruxos.

Os Pappenheimer foram condenados pouco tempo depois. Eles foram novamente torturados, tiveram seus corpos mutilados e foram queimados diante de uma multidão — e Hansel, coitadinho, foi forçado a assistir a tudo antes de ser jogado vivo na fogueira.

5 – Angéle de la Barthe

Angéle foi uma nobre que viveu em Toulouse, na França, durante o século 13, e seu grande pecado foi ser seguidora de um movimento cristão agnóstico conhecido como catarismo — que era considerado herético pela Igreja Católica. Então, em 1275, ela foi acusada de bruxaria e, depois de ser torturada, confessou não só que manteve relações sexuais com o Diabo, mas também que engravidou do capiroto e teve um filho dele.

Fonte: Culture Watch

Segundo os relatos, a criança tinha cabeça de lobo, cauda de serpente e se alimentava da carne de bebês que Angéle roubava de famílias da região ou desenterrava do cemitério local. Com isso, a francesa teria sido julgada e queimada vida na fogueira.

Entretanto, o que torna o caso de Angéle de la Barthe “infame” é que, apesar de ele ser superfamoso, os historiadores não acreditam que o julgamento tenha acontecido de verdade. Isso porque, aparentemente, a história é derivada de uma crônica do século 15, sem falar no fato de que, na época (e se prepare para esta!) fazer sexo com o Diabo ainda não era considerado ilegal.

Bônus

A execução de Hipátia

Nascida em Alexandria, no Egito, Hipátia foi uma filósofa, astrônoma e professora — aliás, ela foi a primeira mulher documentada na História como sendo matemática! — que, por volta do ano 415, foi executada simplesmente por conta de suas crenças pagãs. Hipátia era filha de Téon de Alexandria, um respeitado filósofo, astrônomo e matemático, e foi ele quem a educou e lhe transmitiu sua paixão pelas Ciências.

Fonte: Smithsonian.com

Por azar, Hipátia viveu em uma época de grande atrito entre as três principais religiões seguidas no Egito — o judaísmo, o paganismo e o cristianismo —, e os conflitos entre os seguidores eram constantes. Então, o cristianismo foi adotado como religião oficial e, depois de Cirilo de Alexandria ser nomeado Patriarca, os seguidores de outras crenças passaram a sofrer perseguição.

Para piorar as coisas, Cirilo começou a competir com Orestes, o então governador de Alexandria, pelo controle da cidade, e Hipátia era muito amiga de Orestes. Os homens do Patriarca inclusive tentaram assassinar o governador, mas, depois de o plano não dar certo, as atenções se voltaram para a filósofa — que era um alvo muito mais fácil.

Os aliados de Cirilo começaram a espalhar rumores sobre Hipátia — incluindo acusações de que ela praticava a bruxaria para influenciar Orestes —, e um dia, enquanto ela se dirigia ao trabalho, um grupo de cristãos revoltados a capturaram. Ela foi arrastada pelas ruas até uma igreja e, lá, a multidão a deixou completamente nua antes de matá-la por apedrejamento. Depois, seu corpo foi esquartejado — os pedaços exibidos em triunfo por Alexandria — e, então, incinerado.

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