Pesquisadora acredita que existam fósseis de vida microbiana em Marte
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Pesquisadora acredita que existam fósseis de vida microbiana em Marte

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Será que estamos próximos de descobrir que realmente existe (ou existiu) vida em Marte? As declarações de uma pesquisadora levantaram novamente a questão que, na verdade, nunca sai dos debates dos astrônomos e dos interessados na vida no espaço.

Nora Noffke, uma geobióloga da Universidade Old Dominion, na Virgínia, é a líder de um estudo bastante criterioso das imagens feitas pela sonda Curiosity da NASA. Essa pesquisa minuciosa revelou semelhanças intrigantes entre antigas rochas sedimentares em Marte e estruturas microbianas na Terra.

Os resultados foram publicados no periódico científico Astrobiology e sugerem que a vida pode ter existido anteriormente no Planeta Vermelho. As imagens foram captadas na formação geológica batizada de Baía de Yellowknife, em um local que teria sido um leito de um lago (Lago Gillespie, hoje seco) que sofreu inundações sazonais há bilhões de anos.

Imagem do local conhecido como Lago Gillespie, em Marte

Segundo os cientistas, naquela época remota, Marte era um planeta muito mais quente e úmido do que atualmente. Na Terra, as colônias que são como “tapetes” de micro-organismos reorganizam sedimentos em corpos de água rasos, como lagos e áreas costeiras, formando características distintas que fossilizam ao longo do tempo.

Estes fósseis, conhecidos como estruturas sedimentares induzidas por micróbios (e tem a sigla MISS, em inglês: microbially-induced sedimentary structures), são encontrados em ambientes citados acima em todo o mundo e em rochas antigas, sendo fatores que podem revelar muito sobre a história da Terra.

Estudos

Nora Noffke é uma geobióloga especialista nesse tipo de estruturas fósseis. Tanto que passou os últimos 20 anos estudando-as e foi a principal autora da pesquisa que revelou a descoberta dos mais antigos traços de vida de nosso planeta. De acordo com esse estudo, de 2013, esses sinais de vida foram encontrados na Formação Dresser, na Austrália, e têm 3,48 milhões de anos de idade.

No artigo de Johnny Bontemps, da Astrobiology, Noffke detalha as notáveis semelhanças morfológicas entre as estruturas sedimentares marcianas no Lago Gillespie (que tem, no máximo, 3,7 milhões de anos de idade) e as estruturas microbianas da Terra.

No entanto, é preciso ressaltar que embora a pesquisadora tenha nas mãos possíveis evidências de sinais de vida antiga em Marte, o seu relatório não é uma prova definitiva de que essas estruturas tenham sido formadas por organismos vivos. Poderiam, por exemplo, terem sido criados por processos abióticos.

O grande problema é que para obter essa confirmação seria necessário o retorno da Curiosity ao mesmo local para colher amostras de rochas para a realização de análises microscópicas adicionais e compará-las com as da Terra. E essa missão não tem previsão de acontecer tão cedo, pois as imagens estudadas foram feitas pela sonda em 2012 e, atualmente, o veículo já está bem longe daquele local.

Apesar de ainda não serem confirmadas, outros especialistas aprovam as descobertas. "O fato de que ela apontou sobre essas estas estruturas é uma grande contribuição para o campo. Junto com os recentes relatos de metano em Marte, seus resultados adicionam uma peça intrigante para o enigma de uma possível história para a vida no planeta vizinho”, disse Penelope Boston, uma geomicrobiologista do Instituto Novo México de Mineração e Tecnologia.

A análise das imagens

No artigo da Astrobiology, a pesquisadora Nora Noffke relatou como ela fez as análises e descobertas nas imagens:

"Em uma imagem, eu vi algo que parecia muito familiar. Então, eu dei uma olhada mais de perto e passei várias semanas investigando certas imagens, centímetro por centímetro, esboços de desenho, e comparando-os com dados das estruturas terrestres. E eu tenho trabalhado com isso por 20 anos, então eu sabia o que procurar", disse ela.

Noffke comparou as imagens da sonda com outras captadas em diversos locais na Terra, incluindo superfícies de sedimentos modernas em Mellum Island, na Alemanha; em Portsmouth Island, nos Estados Unidos e em Carbla Point, na Austrália Ocidental. Ela também as comparou com os fósseis mais antigos de tapetes microbianos de Bahar Alouane, na Tunísia; o Pongola Supergrupo, na África e da Formação Dresser, na Austrália Ocidental.

Com isso, ela constatou que as fotos mostravam impressionante semelhança morfológica entre as estruturas sedimentares terrestres e marcianas. Os padrões de distribuição das estruturas microbianas na Terra variam dependendo de onde eles são encontrados.

Diferentes tipos de estruturas são encontrados juntos em diferentes tipos de ambientes. Por exemplo, tapetes microbianos que crescem em rios criam um conjunto diferente de associações do que aqueles que crescem em ambientes sazonalmente inundados. E os padrões encontrados no lago marciano de Gillespie são consistentes com as estruturas microbianas encontradas em ambientes similares na Terra.

Ainda assim, serão necessários muito mais estudos para confirmar essas novas evidências e a pesquisadora Nora Noffke sabe disso. "Neste momento, tudo o que eu gostaria de fazer é apontar essas semelhanças, mas deve ser fornecida outra evidência para verificar essa hipótese", disse ela.

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