Pesquisadores criam o primeiro rim funcional de rato em laboratório
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Pesquisadores criam o primeiro rim funcional de rato em laboratório

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Pela primeira vez na história, um rim totalmente funcional de rato foi criado em um laboratório — tendo sido ainda transplantado com sucesso em um animal. O órgão sintético foi capaz de processar a urina, tal e qual seria possível com um rim verdadeiro.

Os resultados, naturalmente, animaram a equipe de pesquisadores do Massachusetts General Hospital, em Boston, representando o que pode ser um passo de suma importância para a produção de rins sintéticos para seres humanos.

Reaproveitando a estrutura básica de colágeno

A princípio, a equipe retirou os rins de um rato doador para, em seguida, lavá-lo com produtos químicos — retirando as células e deixando unicamente a estrutura básica de colágeno, responsável por dar sustentação ao órgão.

Estrutura básica de colágeno foi reutilizada no rim sintético Fonte da imagem: Reprodução/Ott Lab, Center for Regenerative Medicine, Massachusetts General Hospital

Em seguida, outro rim foi recriado com uma mistura de células-tronco humanas e células renais de um rato. Conforme explicou o site New Scientist, “a equipe colocou as estruturas dos rins em uma câmara de vidro, contendo oxigênio e nutrientes, e então acoplou tubos às saídas protuberantes da artéria renal, da veia e da uretra — por onde a urina normalmente deixa o rim”.

Posteriormente, os vasos sanguíneos foram recobertos com as células-tronco humanas — injetadas através dos tubos ligados à artéria e à veia. Por fim, células renais de ratos recém-nascidos foram bombardeadas através da uretra, recobrindo o labirinto, os túbulos e os dutos que formam o sistema de filtragem do rim.

10% de eficiência

O sucesso no desenvolvimento do rim sintético não veio antes de várias tentativas, ao final das quais os estudiosos chegaram a uma configuração balanceada de fórmulas e condições de cultivo. Entretanto, ao ser reintroduzido em um rato, o órgão foi capaz de processar corretamente a urina, demandando um processo que tomou apenas duas semanas — período necessário para o desenvolvimento do novo rim.

Uma esperança para portadores de insuficiência renal

Embora a versão sintética tenha apresentado apenas 10% da eficiência de um exemplar normal (conforme resultados publicados na revista Nature), a possibilidade de desenvolver um órgão da complexidade de um rim em um laboratório certamente animou os pesquisadores.

“Caso essa tecnologia possa ser transposta para seres humanos, pacientes que sofram de insuficiência renal — que estejam esperando na fila por doadores — podem, em teoria, obter um órgão fabricado de acordo com a demanda”, disse o responsável pela pesquisa, Harald Ott.

Rins humanos sintéticos em um futuro próximo? Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons

“De forma ideal, os enxertos [do modelo sintético] poderiam ser produzidos a partir de células dos próprios pacientes, permitindo que nós possamos superar a falta de doadores e também a necessidade de drogas imunossupressoras de longo prazo”, conclui.

O próximo passo? Efetuar o mesmo experimento com porcos — um modelo muito mais adequado às necessidades humanas do que os ratos. De qualquer forma, considerando-se que a produção de um órgãos inteiramente em laboratório foi desacreditada durante anos, os resultados são ainda incrivelmente animadores para a ciência dos transplantes.

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