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Butanvac: 10 coisas que sabemos sobre a 1ª vacina 100% nacional

Chamado de Butanvac, o imunizante cujo pedido para testes clínicos foi entregue nesta sexta (26) à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a primeira vacina 100% nacional contra a covid-19.

O que sabemos sobre a Butanvac

1. Consórcio

O imunizante é fruto de um acordo internacional com o Instituto Butantan à frente; seus parceiros são o laboratório americano Dynavax e a organização internacional de saúde sem fins lucrativos PATH.

2. 100% nacional

A vacina será produzida com vírus inativado de gripe aviária e uma proteína da espícula da variante surgida em Manaus, a P.1 – uma das mais virulentas cepas do SARS-CoV-2.

“Essa vacina será integralmente produzida aqui, não dependeremos da importação de nenhum insumo e com uma tecnologia que já existe – a mesma que é usada na produção da vacina contra a gripe. Hoje, demos entrada no Dossiê de Desenvolvimento Clínico e poderemos, se tudo correr bem, começar a usar essa vacina ainda no segundo semestre deste ano”, disse o diretor do Butantan, o hematologista e pequisador Dimas Covas.

3. Processo mais rápido

Segundo Covas, como a Butanvac é uma vacina de segunda geração (ou seja, usa uma variante e não o vírus original), os testes e a análise dos resultados devem ser mais rapidamente concluídos. As duas primeiras fases testam a segurança do imunizante e a resposta imune esperada; a fase 3, se a vacina é eficaz.

4. Dose única

O diretor do Butantan acredita que será possível que a aplicação seja em dose única. Segundo ele, a vacina apresentou "bons resultados imunogênicos" nos testes em animais quando aplicada uma única vez.

5. Testes clínicos em dois países

A Butanvac já está sendo testada na Tailândia, na fase 1.  No Brasil, as fases 1 e 2 terão 3,9 mil voluntários, divididos igualmente entre as duas. Os participantes deverão ter mais de 18 anos e não ter recebido nenhuma dose das vacinas hoje distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

6. Distribuição nacional

A expectativa é que, com a autorização da Anvisa, a fase 1 dos testes clínicos comece em abril e, em julho, se tudo der certo, o imunizante comece a ser distribuída no país. Antes mesmo do fim da fase 3, porém, o Butantan deve pedir à Anvisa o pedido de uso emergencial do imunizante. Espera-se uma produção de 40 milhões de doses até o fim do ano. Segundo Covas, já a partir de maio a nova vacina vai começar a ser produzida.

Testes clínicos devem começar em abril.Testes clínicos devem começar em abril.

7. Exportação

Os planos no longo prazo é, assim que a demanda nacional for suprida, o Butantan começar a exportar a vacina. 

"Nosso compromisso é fornecer essa vacina para países de renda baixa e média porque é lá que nós precisamos combater a pandemia. Se o mundo rico tem recursos para combater a doença e ficar relativamente livre do vírus, nos países de renda baixa ou média a pandemia vai continuar", disse Covas.

8. Chancela internacional

O instituto também já inscreveu sua vacina no sistema da Organização Mundial de Saúde (OMS). Se aprovada pela entidade, o imunizante brasileiro poderá ser distribuído mundialmente. A OMS teme que, com a recusa dos laboratórios em abrir mão das patentes ou dos países em lançar mão das licenças compulsórias,  a escassez de imunizantes dure até 2022.

A Fiocruz, no Rio de Janeiro, também está trabalhando em uma vacina própria.A Fiocruz, no Rio de Janeiro, também está trabalhando em uma vacina própria.

9. Outras vacinas nacionais

Além da Butanvac, outros 17 imunizantes brasileiros, todos em fase pré-clínica, aguardam financiamento para prosseguir com testes em humanos.

10. CoronaVac

Mesmo com sua própria vacina, o Butantan não deixará de produzir a CoronaVac, imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac.


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