#QuizMega: Verdades e mentiras sobre a vacina contra a covid-19

Diversas vacinas têm sido desenvolvidas na tentativa de barrar a pandemia de covid-19 que vem assolando o planeta neste ano de 2020 e estamos cada vez mais perto de ter acesso a esse medicamento que promete, mesmo que lentamente, solucionar os problemas de saúde relacionados ao coronavírus.

Ainda assim, graças à desinformação e ao compartilhamento desenfreado de fake news, muitas dúvidas pairam sobre as vacinas contra a covid-19 que já estão sendo, inclusive, aplicadas na população de alguns poucos países. Você está por dentro do que a Ciência diz sobre esses medicamentos?

Teste o que você sabe aqui no nosso #QuizMega e, em seguida, aqui mesmo, confira as explicações e as fontes das informações utilizadas. E não vale ler antes de fazer o quiz porque tem spoiler, hein!

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1. A vacina contra a covid-19 pode alterar o DNA de quem tomar

Essa informação falsa tem como origem, provavelmente, as duas vacinas que usam a tecnologia de mRNA, sendo elas a da Pfizer/BioNTech e da Moderna/NIH. Em muitos casos, essa afirmação é acompanhada da estatística que diz que 75% dos voluntários do teste desse tipo vacinas experimentaram efeitos colaterais, o que também não é verdadeiro.

A tecnologia chamada messenger RNA usa pequenos pedaços do código genético do coronavírus para produzir o vírus dentro do corpo humano. O sistema imunológico então o reconhece e começa a produzir anticorpos para atacá-lo. A inserção de RNA não altera nem modifica de forma alguma o DNA humano.

Apesar de nenhuma vacina que use a tecnologia mRNA ter sido usada em larga escala até hoje, diversos estudos científicos comprovaram que seu uso é seguro para os seres humanos. Nos testes da Moderna, por exemplo, registraram apenas eventos adversos leves em uma parcela mínima dos voluntários, como fadiga, dor de cabeça, dor e vermelhidão no local da aplicação. Os experimentos da Pfizer demonstraram resultados muito semelhantes.

2. Assim que a vacina for aprovada, a vacinação vai ser obrigatória

Diversas imagens na internet mostram supostos centros de saúde realizando campanhas de vacinação na presença de militares ou policiais, dando a entender que em certos lugares a vacina contra a covid-19 vai ser ministrada de maneira obrigatória.

Enquanto muitas dessas informações são forjadas para causar algum tipo de indignação ou revolta por parte de quem as recebe, ainda não há confirmação nenhuma sobre algum lugar que tenha tornado a vacinação contra covid-19 obrigatória, até mesmo porque ainda mal se tem a vacina para ser aplicada.

Por enquanto, tudo indica que a adesão a futuras campanhas de vacinação no Brasil aconteça em número suficiente para que a imunização seja eficaz. O atual presidente Jair Bolsonaro, inclusive, manifestou-se em diversos momentos como contrário à obrigatoriedade da vacina e esse é, de fato, o plano atual do Ministério da Saúde.

Apesar disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nessa quarta-feira (09) para a BBC News que “a vacinação obrigatória pode ser uma opção adotada por países com baixa adesão espontânea e níveis “inaceitavelmente altos” de contágio pela doença.

“Em situações em que a adesão voluntária à vacina é inadequada e as taxas de transmissão de covid-19 permanecem inaceitavelmente altas, é possível que alguns países considerem a introdução de programas obrigatórios com a finalidade de salvar vidas”, disse o órgão. Esse, porém, dificilmente deve ser o caso do Brasil.

3. Se você já teve covid-19, ainda assim é necessário tomar a vacina

É muito difícil afirmar atualmente como nossa imunidade funciona em relação à covid-19. Ainda não sabemos por quanto tempo nosso organismo fica protegido contra o coronavírus de maneira natural — ou seja, por já termos contraído a doença —, mas alguns estudos recentes já indicam que isso não dura muito.

Justamente por isso, para garantir a saúde tanto de que já contraiu a doença e precisa se imunizar adequadamente quanto da sociedade, para evitar novas ondas da pandemia, é importante que todas as pessoas adiram à vacinação assim que ela estiver disponível.

4. Mesmo depois de me vacinar, ainda preciso usar máscara

Uma coisa que é muito importante saber em relação à vacina contra a covid-19: seu efeito não é instantâneo. Em alguns casos, inclusive, são necessárias duas doses com uma diferença de dias entre elas, além de aguardar mais algumas semanas, para que a vacina de fato faça efeito.

Sabendo disso, fica mais clara a necessidade de se continuar com todos os métodos de prevenção contra o coronavírus: o uso de máscaras, a higienização das mãos e de objetos e superfícies com os quais tivermos contato, o distanciamento social, entre outros.

Mesmo com a vacina pronta, aprovada e disponível, ainda deve levar alguns meses para que as pessoas recebam o medicamento e mais um tempo para que fiquem devidamente imunizadas. Só assim, quando uma quantidade representativa da população estiver protegida contra o vírus, vamos atingir o que se chama de “imunidade de rebanho” e a doença para de se espalhar como acontece agora.

Afinal, já usamos máscaras por tanto tempo, não custa nada usar mais um pouquinho após a vacina, certo?

5. Depois de tomar a vacina, estarei imunizado para o resto da vida contra a covid-19

Assim como ainda não se sabe quanto tempo dura a imunidade natural, ou seja, aquela adquirida quando contraímos a covid-19, também não se conhece a duração da proteção fornecida pelas vacinas. Pode ser, inclusive, que vacinações frequentes e regulares, como acontece com a da gripe comum, sejam necessárias para que novas pandemias não aconteçam.

O que os cientistas estão achando até o atual momento é que pode ser necessário aplicar uma dose de reforço da vacina a cada tantos anos, assim como acontece com a antitetânica, para restabelecer a quantidade ideal de anticorpos que eventualmente tenha se reduzido com o passar do tempo.

6. Tomar a vacina vai fazer com que eu pegue covid-19

Considerando as principais vacinas contra a covid-19 que estão em fase avançada de testes, poucas utilizam a tecnologia clássica, que aprendemos na escola, de inserir um vírus “enfraquecido” no nosso organismo para estimular a ação dos anticorpos. Uma delas, porém, é a Coronavac, desenvolvida pela Sinovac e o Instuto Butantan, em São Paulo.

Como a ideia por trás de todas as vacinas é ensinar nosso sistema imunológico a enfrentar um vírus, esse método é bastante eficaz, mas não significa que vamos contrair a doença na busca de ficarmos livres dela. O que é injetado no nosso corpo é uma versão chamada inativa do vírus

7. Quem já tomou a vacina contra gripe comum não precisa tomar a vacina contra covid-19

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Tudo bem, a gripe comum tem uma porção de sintomas muitos parecidos ou até iguais aos da covid-19, mas são doenças completamente diferentes causadas por vírus bem distintos que, inclusive, podem infectar uma pessoa simultaneamente.

Portanto, continua sendo extremamente importante tomarmos a vacina contra a gripe comum justamente para evitar que tenhamos sintomas que possam ser confundidos com os da covid-19 e atrapalhar um diagnóstico que poderia ser simples. Se já tomou a vacina contra a gripe, parabéns, você fez sua parte, mas infelizmente continua vulnerável em relação ao coronavírus.

8. Algumas vacinas contra covid-19 serão aplicadas em duas doses

Das várias vacinas em fase avançada de testes, algumas vão ser aplicadas em duas doses separadamente, distantes uma da outra alguns dias ou semanas, para que a imunidade seja atingida de maneira satisfatória. Ou seja, é realmente necessário tomar as duas doses para que seu sistema imunológico esteja apto a combater o coronavírus; tomar só uma não vai adiantar nada, nem “funcionar pela metade”.

Segundo William Moss, diretor executivo do Centro Internacional de Acesso a Vacinas da Escola de Saúde Pública Bloomberg, de Johns Hopkins, “não sabemos o que acontece tomando uma única dose. Certamente, não podemos esperar [que uma dose irá conferir] o alto grau de proteção que ambas as doses demonstraram nos ensaios clínicos de fase 3”.

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