Doença da urina preta: o que sabemos sobre a crise no Amazonas?

Desde 22 de agosto, municípios do Amazonas vêm preocupando as autoridades sanitárias locais após a confirmação de mais de 40 casos de infecções supostamente causados pela doença da urina preta, nome popular para a rara condição de Haff.

Conhecida desde a década de 1920 como derivada de uma toxina de crustáceos e peixes, a patologia é responsável por destruir fibras musculares e afetar os rins, podendo levar à morte em quadros mais graves.

Em 1924, a região litorânea Könisberg Haff, próxima ao Mar Báltico, anunciou um misterioso caso de início súbito, com pacientes relatando sintomas de "rigidez muscular, frequentemente acompanhada de urina escura". Por 9 anos, a condição foi se alastrando pela atual cidade de Kaliningrado, Rússia, atingindo seu pico de transmissão durante o verão e o outono a partir do aumento do consumo de pescados. 

(Fonte: Pixabay / Reprodução)(Fonte: Pixabay / Reprodução)

Assim, as décadas seguintes mostraram um crescimento substancial de populações que tiveram contato com as toxinas de peixes e crustáceos, resultando em surtos registrados na antiga União Soviética, Suécia, Estados Unidos e China. No Brasil, os primeiros relatos da enfermidade iniciaram em 2008, mas somente em 2017 houve o momento de maior gravidade, quando 71 enfermos foram diagnosticados com a doença da urina preta e quase todos os habitantes de Salvador (Bahia).

Agora, a doença de Heff volta a assustar os brasileiros e, até 30 de agosto, 44 pessoas dos municípios de Itacoatiara, Silves, Manaus, Parintins, Caapiranga e Autazes apresentaram sintomas semelhantes, gerando suspeitas de um possível novo surto vinculado à patologia. Além disso, uma morte foi confirmada em Itacoatiara, enquanto outros dez pacientes estão internados para avaliação e tratamento.

(Fonte: Shutterstock / Reprodução)(Fonte: Shutterstock / Reprodução)

Em nota, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) comentou que segue investigando o problema, mas tranquilizou a população ao comentar que não é necessário parar de comer pescados. 

"Qualquer situação que coloque em risco a saúde das pessoas deve ser avaliada com cuidado, as pessoas devem ser tratadas da maneira mais adequada possível e temos que ter preocupação também com os aspectos econômico e nutricional", disse o infectologista Antonio Magela, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, em Manaus.

"Ainda trabalhamos no campo das hipóteses. Pode ser uma bactéria, um vírus ou até mesmo uma toxina. As pessoas têm um quadro clínico sugestivo de intoxicação após a ingestão alimentar, e é de evolução rápida", ele explicou.

Sintomas e prevenção

Entre os principais sintomas da doença de Haff, destacam-se dor no peito, falta de ar, sensação de dormência, náusea, tontura e fraqueza, além do quadro de rabdomiólise, lesões musculares causadas pela destruição das fibras na região. O nome popular da doença também é motivado pelo surgimento de uma urina de coloração preta, semelhante ao café, supostamente causada por produtos químicos produzidos por salmão, pacu, enguia e outros peixes, assim como por lagostas, lagostins e camarões.

(Fonte: Alagoas 24h / Reprodução)(Fonte: Alagoas 24h / Reprodução)

Seu tratamento consiste na aplicação de hidratação reforçada, já que a ingestão de uma grande quantidade de líquidos pode diminuir a concentração de impurezas no sangue, aliviando a atividade dos rins. Uma das grandes dificuldades da doença é a prevenção, já que é impossível detectar a presença de toxina nos pescados até que haja o surgimento dos primeiros sintomas. Nesses casos, recomenda-se procurar um hospital imediatamente e solicitar um exame de sangue.

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