Vapores terapêuticos: da fumaça medicinal aos nebulizadores

Quando o objetivo é obter algum alívio para problemas respiratórios, os nebulizadores e inaladores costumam ser os equipamentos preferidos. Muita gente se surpreende, mas a origem do nebulizador, por exemplo, data de meados do século XIX. 

A ideia partiu do Dr. Sales-Giron, um cientista francês que criou um dispositivo para pulverizar medicamentos líquidos, mas essa história de inalar ou usar remédios na forma de névoa não é nova, na verdade, começou há milênios.

História antiga

Por milhares de anos, culturas de várias partes do mundo usaram vapores e fumaça para tratar doenças respiratórias. A mais antiga referência de algo nesse sentido vem de um antigo rolo de papiro egípcio. O texto, datado de 1554 a.C., descreve alguns pacientes que inalavam uma planta medicinal chamada de meimendro negro (Hyoscyamus niger).

(Fonte: Stephen W Stein/ Research Gate/ Reprodução)(Fonte: Stephen W Stein/ Research Gate/ Reprodução)

O papiro, descoberto na necrópole de Tebas, diz que as plantas eram colocadas sobre tijolos quentes. Depois, um recipiente com um orifício cobria as ervas. Para inalar os vapores, o doente utilizava um pequeno tubo de cana que era encaixado no orifício.

Os indianos também fizeram uso dessas práticas. Os registros mais importantes na Índia são os escritos de dois médicos, Sushuruta e Charaka, que, por volta de 600 a.C., descreveram a utilização de vapores terapêuticos para o tratamento de uma das doenças respiratórias mais comuns: a asma.

Na Grécia, Pedânio Dioscórides, autor greco-romano considerado o pai da Ciência, foi o primeiro a recomendar a inalação de vapores. Foi ele quem desenvolveu o conceito de farmacognosia, uma linha da Farmacologia.

Tempos modernos

Sales-Giron desenvolveu seu dispositivo para pulverizar medicamentos em 1858. Contudo, ele não foi muito bem aceito pela comunidade médica nem pelos pacientes na época.

Afinal, existia uma preocupação sobre o remédio, se ele chegava aos pulmões. Depois, o uso do aparelho exigia que a pessoa mantivesse em movimento uma alavanca para transformar o medicamento líquido em partículas menores. Claro, todo esse trabalho era uma complicação adicional para a pessoa que já estava mal com problemas respiratórios.

Pulverizador criado por Giron. (Fonte: Stephen W Stein/ Research Gate/ Reprodução)Pulverizador criado por Giron. (Fonte: Stephen W Stein/ Research Gate/ Reprodução)

Entre 1858 e 1949, os nebulizadores que surgiram eram pesados e pouco eficientes. Além disso, as pessoas começaram a se interessar por outros métodos de tratamento, que eram adaptados de práticas indígenas.

Um exemplo são os cigarros com folhas de datura que, até 1922, eram usados para tratar asmáticos. Essa planta era conhecida de muitos povos indígenas devido ao veneno e aos efeitos psicotrópicos que tinha.

Cigarros contra asma. (Fonte: Stephen W Stein/ Research Gate/ Reprodução)Cigarros contra asma. (Fonte: Stephen W Stein/ Research Gate/ Reprodução)

A menina de 13 anos que inspirou o inalador sob medida

O projeto de Giron foi deixado de lado, mas o conceito persistiu e, durante as décadas que se seguiram a 1858, ajudou a desenvolver vários aparelhos e dispositivos umidificadores que rapidamente eram adaptados por médicos para tratamentos respiratórios.

Um dos maiores avanços ocorreu em 1956 quando George Maison, presidente da Riker Laboratories, criou o inalador dosimetrado, usando, para isso, recipientes de vidro e válvulas projetadas para frascos de perfume.

A invenção só surgiu devido a um "empurrãozinho" de sua filha de 13 anos. A menina usava um nebulizador de vidro que, além de pesado, não era muito eficiente para tratar a asma. Cansada de lidar com equipamento, questionou o pai do porquê não colocar seus remédios em uma lata de spray, como os frascos de perfume.

Foi aí que o mundo conheceu o primeiro dispositivo portátil que administrava os remédios aos pulmões de forma eficaz: o inalador. Depois disso, empresas começaram a se interessar mais em aprimorar os nebulizadores e começaram a produzir inaladores em larga escala, tornando ambos os dispositivos os mais comuns para tratar doenças respiratórias, especialmente a asma.

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