Afinal, por que viajar de carro dá tanto sono?

A cena é clássica: em uma viagem é comum o motorista ver que os demais passageiros deram uma cochilada ou até embalaram um sono mais pesado, inclusive babando ou roncando. O condutor às vezes também sente a “mão de Morfeu” chamando para uma sonequinha, mas ele realmente não pode se dar a esse luxo. Mas você sabia que esse sono dentro do carro é bastante comum e tem até nome? Trata-se da hipnose de estrada.

Esse termo se refere ao fato de que, nas viagens, os passageiros ficam com a atenção reduzida, visto que a rota previsível e monótona não requer nada de sua parte. Dessa maneira, o sono costuma chegar — e nem sempre isso se dá de mansinho. Para algumas pessoas, basta entrar no carro, encostar a cabeça na janela e logo adormecer bem gostosinho, mesmo que de maneira desconfortável.

A hipnose de estrada é ainda mais intensa em trajetos longos e sem nenhum imprevisto. É comum, inclusive, que algumas pessoas nem sequer se lembrem de alguns trechos da rodovia. E o mais curioso é que elas nem precisam necessariamente ter dormido para que esse esquecimento aconteça. Afinal, além do sono, a hipnose de estrada também pode levar a um estado de transe.

O motorista é o único que realmente não pode dormir. (Fonte: Shuttestock)O motorista é o único que realmente não pode dormir. (Fonte: Shuttestock/Reprodução)

Outra explicação para a sonolência nas estradas pode ser o ritmo circadiano das pessoas — o tal do “relógio biológico”. Se as viagens ocorrem no começo da manhã ou no final do dia, pode ser que naturalmente as pessoas já estejam mais cansadas e, com isso, pré-dispostas a dormir. Se vai ser em uma cama ou dentro do carro, isso vai depender do seu momento.

Também estão sendo conduzidas pesquisas para compreender se a mecânica dos veículos pode interferir na indução da sonolência das pessoas, ou seja, se a trepidação do veículo, o movimento do carro e o barulho do motor podem atuar como relaxantes cerebrais e, com isso, gerar o sono.

Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), cerca de 42% dos acidentes rodoviários estão relacionados à sonolência dos motoristas. Já dados da Academia Brasileira de Neurologia apontam que 20% dos motoristas costumam dirigir mesmo estando com sono. 

É bastante comum que motoristas apelem para música alta, muitas doses de cafeína e janelas abertas para tentar despistar o sono. Esses artifícios, entretanto, nunca foram comprovados como eficazes para impedir que a sonolência se intensifique. Por isso, caso o sono bata na estrada, o ideal é procurar um lugar seguro para parar e descansar. Também é possível passar a direção para outro motorista que esteja mais desperto. Afinal, essa não precisa ser a última viagem de sua vida, não é mesmo?

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