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Transtornos de neurológicos são de nascença ou os desenvolvemos?

Os transtornos de neurodesenvolvimento são problemas neurológicos que causam impactos na aquisição, retenção ou aplicação de habilidades ou informações. Estes distúrbios costumam ser associados a problemas nas habilidades sociais, cognitivas e emocionais das pessoas que os possuem.

Os mais conhecidos são o transtorno do espectro do autismo (TEA) e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que têm sido diagnosticados em cada vez mais pessoas - especialmente crianças.

Isto leva muita gente a pensar: é possível "desenvolver" estes transtornos ao longo da vida, ou eles já são natos dos indivíduos? Neste texto, explicamos o que a ciência tem a dizer sobre isso.

Os transtornos de neurodesenvolvimento podem ser adquiridos?

(Fonte: Cannabis e Saúde)(Fonte: Cannabis e Saúde)

Não há consenso definitivo sobre isso. O que há são visões diferentes. Alguns estudiosos afirmam que há fatores genéticos que favorecerem que os transtornos se manifestem; contudo, a hereditariedade não explica totalmente estes problemas.

É preciso também considerar questões ambientais - ou seja, o contexto em que a pessoa nasce e se desenvolve. Os pesquisadores listam alguns aspectos que podem interferir: fatores como exposição ao estresse, uso de medicamentos, nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, gestação difícil, etc.

Os traumas e a negligência (com crianças, por exemplo) também podem desencadear os transtornos. A explicação biológica tem a ver com os hormônios que são liberados no corpo da pessoa que enfrenta situações traumáticas. Há estudos que sugerem ainda que a poluição também pode afetar o cérebro e favorecer estas situações.

Normalmente, os sintomas de algum transtorno de neurodesenvolvimento aparecem nos primeiros anos de vida. Eles se manifestam mais em homens que em mulheres - o autismo, por exemplo, é mais presente no sexo masculino.

O aumento dos diagnósticos dos transtornos

(Fonte: Mais Saúde Revista)(Fonte: Mais Saúde Revista)

Os transtornos mais conhecidos (TEA e TDAH) têm sido mais identificados entre a população. O Brasil, por exemplo, é o segundo país do mundo que mais utiliza o metilfenidato, princípio ativo do medicamento recomendado para o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Entre 2009 e 2011, o consumo deste remédio aumentou em 75% entre crianças.

Será que realmente as crianças estão sofrendo mais de TDAH, ou haveria uma incompreensão do transtorno por conta dos médicos? Haveria também uma influência aqui da indústria farmacêutica em um lobby em prol destes remédios?

Esta é uma questão complexa, que abrange várias interpretações. Segundo a visão do médico Paulo Azevedo, há de se considerar que estes diagnósticos são feitos por psiquiatras - área médica que, diferente das outras, não trabalha com marcadores biológicos.

Isto significa que não há um "exame" que decrete biologicamente se alguém tem depressão, autismo ou transtorno de ansiedade. Por isso, o diagnóstico é sempre clínico, voltado à análise que o médico faz dos relatos do paciente e de sua família.

O que inspira outra pergunta: será que há hoje um superdiagnóstico de TDAH nas crianças brasileiras? É difícil pontuar com total segurança uma resposta sobre a questão. Paulo Azevedo explica: "vivemos uma situação claramente paradoxal no mundo e, especificamente, no Brasil. Temos um superdiagnóstico e um subdiagnóstico. O diagnóstico é clínico, a maldição da psiquiatria é não ter marcadores biológicos. O que não quer dizer que os problemas não existam", declarou ao Jornal da UFG.

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