Sexo animal: afinal, como é que os polvos fazem?
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Sexo animal: afinal, como é que os polvos fazem?

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Não é a toa que os polvos são considerados por muitos cientistas como os invertebrados mais inteligentes do mundo: além de serem mestres da camuflagem — conforme já mostramos para você nesta e nesta matéria do Mega Curioso —, eles são pra lá de habilidosos na hora de se esconder ou escapar de predadores. E isso que nem estamos considerando seus talentos como supostos adivinhos!

Mas e na hora do “rala e rola”, como é que esses animais fazem, com todos aqueles tentáculos e ventosas? Pois, de acordo com Joseph Castro do site Live Science, apesar de existirem polvos de vários tamanhos e cores — só do gênero Octopus mais de 100 espécies são conhecidas, sem falar nas ao menos 150 espécies de outros gêneros —, os cientistas não presenciaram muitos acasalamentos não.

Juventude solitária

Segundo Joseph, os polvos não costumam ter vidas muito longas — variando de poucos meses a alguns anos —, e passam a maior parte de suas “juventudes” sozinhos, se alimentando e crescendo até chegarem à maturidade sexual. E quando chegam a essa etapa de suas vidas, eles metabolizam seus músculos para produzir o esperma e os óvulos — e ficam prontos para procriar.

Ninguém sabe ao certo como é que os casais que já chegaram à maturidade sexual se encontram no oceano, mas os cientistas acreditam que os machos dedicam boa parte do tempo procurando por pretendentes. As fêmeas, por outro lado, geralmente se tornam menos ativas na fase adulta, assim, é provável que elas atraiam aos machos por meio da liberação de feromônios.

Como costumam ser animais solitários, os polvos não são especialmente seletivos na hora de escolher seus parceiros, e é difícil que uma fêmea rejeite o macho. Contudo, o fato de que as “polvas” não sejam particularmente exigentes, não significa que esses animais não realizem rituais interessantes para... animar a coisa.

Cortejando as damas

Os polvos-comuns (Octopus vulgaris), por exemplo, costumam dar as costas para as fêmeas e exibir diversas ventosas mais avantajadas que possuem na parte inferior de seus tentáculos para mostrar que são machos. Além disso, eles também se esparramam para parecer maiores, e adotam uma coloração mais escura e menos vistosa. Mas eles só fazem isso se as pretendentes forem grandalhonas, para evitar que elas decidam partir para o ataque e devorá-los.

Já os machos da espécie Octopus cyanea, em vez de se esparramarem como os Octopus vulgaris, costumam se esticar bem para parecerem mais altos na presença de fêmeas. Esses animais também adotam uma camuflagem menos colorida e, conforme vão se aproximando da “polva”, começam a exibir listras pretas por todo o corpo.

Talvez os machos com o comportamento mais curioso na hora do cortejo sejam os da espécie Abdopus aculeatus. Esses animais se aproximam adotando uma camuflagem que consiste em listras pretas e brancas e guardam as fêmeas se instalando em abrigos bem próximo aos delas. E, se outro “atiradinho” resolver jogar seus tentáculos para cima da pretendente, o guarda-costas parte para a briga — e o confronto pode inclusive acabar em morte.

Mas, como esses animais são bem espertos, alguns machos dispensam o padrão das listras e adotam uma tonalidade parecida à das fêmeas para enganar os guardiões e passar pela sua guarda.

Come-come

De maneira geral, embora as fêmeas não sejam de ficar escolhendo muito quando o assunto é encontrar um parceiro para acasalar, a verdade é que a vida dos machos não é tão simples assim. Isso porque muitas “polvas” são adeptas ao canibalismo e, para não se transformar em refeição, os polvos se aproximam com bastante cuidado das pretendentes.

Segundo Joseph, normalmente, eles chegam pela retaguarda, pois a partir dessa posição é mais fácil fugir caso elas se tornem violentas. Então, os machos introduzem os espermatóforos — que são cápsulas que contém os espermatozoides — por meio de um braço modificado chamado hectocótilo, que é introduzido através da cavidade paleal das fêmeas.

Dependendo da espécie, esse processo pode demorar várias horas e até dias inteiros e, no caso de machos que são bem menores que as fêmeas — como os Argonauta e os Tremoctopus —, é comum que eles contem com hectocótilos que se soltam durante a cópula. Depois de introduzidos, os espermatóforos ficam guardadinhos no interior das “polvas” até que elas estejam prontas para depositar seus ovos.

Final feliz?

Os machos, coitados, quando não são devorados, costumam morrer alguns meses depois de acasalar, enquanto que as fêmeas permanecem junto aos ovos até que os polvinhos nasçam, sem sequer sair para se alimentar. A espera pode ser bem longa — existem registros de uma fêmea da espécie Graneledone boreopacifica que ficou 4,5 anos junto ao ninho — e, tipicamente, as mamães morrem poucos dias depois de os filhotes nascerem.

Vale notar que existe uma espécie no Pacífico — que ainda não foi formalmente descrita — cujo cortejo foge completamente do comportamento convencional. Neste caso, ao contrário das demais espécies conhecidas, os polvos são sociais e vivem em grupos com até 40 indivíduos. Além disso, como as fêmeas não costumam devorar os machos, o acasalamento é bem mais (carnal e) próximo, e elas geralmente põem ovos várias vezes no decorrer de suas vidas.

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