Qual é a verdadeira história de Rapunzel?

Qual é a verdadeira história de Rapunzel?

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Uma mãe é forçada a entregar a sua filha para uma ogra depois de ter roubado salsa de seu jardim. Essa é a primeira versão de Rapunzel, intitulada Petrosinella ("salsa", em italiano), escrita pelo napolitano Giambattista Basile e publicada em sua antologia Lo Cunto de li Cunti (O Conto dos Contos), em 1634.

O nome Rapunzel só surgiu na sétima edição da coletânea de contos dos irmãos Grimm, lançada em meados de 1857. Inspirando-se na história de Basile, os irmãos escreveram Rapunzel a partir de contos tradicionais e lendas antigas com teor moral obscuro, que já caíam no esquecimento popular depois de muito serem disseminadas de boca em boca.

No entanto, a história que inspirou Basile em primeiro lugar é ainda mais doentia do que a versão escrita e popularizada pelos Grimm.

A bruxa era o seu pai

(Fonte: Polish News/Reprodução)(Fonte: Polish News/Reprodução)

Em 1275, o então arcebispo de Gênova, Tiago de Voragine, compilou em sua obra Legenda Áurea – que descreve a trajetória de vida de dezenas de santos dos primeiros séculos da Igreja – a história de uma jovem chamada Bárbara que nasceu na Nicomédia (atual Turquia) no final do século III.

Naquela época, Dióscoro, pai de Bárbara, era um homem rico e poderoso que desfrutava de sua reputação “impecável” para manter os seus negócios prósperos. Ciente da beleza de sua filha, principalmente pela quantidade de homens que a cortejavam desde muito cedo, ele decidiu que entrevistaria cada candidato a esposo para a jovem.

Furiosa, Bárbara discutiu com o pai e afirmou que ela mesma escolheria o homem com quem se casaria. Dióscoro se sentiu desafiado com o comportamento rebelde dela; então, antes de embarcar em uma viagem de negócios, ordenou que construíssem no meio da floresta uma torre com apenas uma janela para que Bárbara ficasse até o dia em que ele escolhesse o pretendente que julgasse perfeito para ela. Desse modo, Bárbara não correria o risco de conhecer ou se apaixonar por um homem que ele não aprovasse antes.

A história também aponta que o pai temia que a filha fosse arrebatada pela influência do cristianismo, que crescia entre a classe pobre, visto que Bárbara já tinha uma tendência a ajudar os menos favorecidos que trabalhavam para eles. Uma vez que a fortuna de Dióscoro dependia da integridade de sua reputação, ele também sabia que esse movimento de fé crescente poderia arruiná-lo.

O livro na cesta

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Enquanto a torre e o terreno ao redor eram finalizados, Bárbara recebia roupas e comida através de uma cesta que ela descia todos os dias. Certa vez, quando puxou a cesta de volta, encontrou em meio às provisões um livro sobre o cristianismo – a Bíblia. Motivada pelo sentimento de abandono e pouco amor que recebia do pai, ela leu todo o livro e foi consumida pelas mensagens divinas.

Através de súplicas, Bárbara convenceu os trabalhadores a construírem mais duas janelas na torre, para que pudessem representar a Santíssima Trindade. Enquanto isso, a jovem fez questão de destruir todos os símbolos de ídolos pagãos que o pai cultuava, pois a Bíblia dizia que não passavam de "representações de pecado".

Ainda não satisfeita, ela conseguiu convencer os trabalhadores cristãos apiedados com a sua situação a enviaram um padre, que chegou até ela disfarçado de médico. Bárbara foi batizada e se tornou oficialmente uma cristã, mesmo sabendo que estava infringindo uma lei e que isso destruiria qualquer vínculo com seu pai.

Renúncia ou morte

(Fonte: The Odyssey Online/Reprodução)(Fonte: The Odyssey Online/Reprodução)

Dióscoro enlouqueceu de ódio quando descobriu o que Bárbara havia feito. Naquela época, ser cristão declarado era considerado crime passível de tortura e morte. Ao contrário do que se pensa, o homem não se lamentou por saber que sua filha poderia ter um triste fim, pois ele mesmo fez questão de encomendá-lo. Ele sabia que os trabalhadores deveriam ter espalhado para a cidade toda sobre a conversão de Bárbara, então era uma questão de tempo até que o seu nome fosse para lama se não alguma atitude não fosse tomada.

De maneira fria e calculada, o homem entregou a própria filha às autoridades romanas para que fosse julgada e condenada. De acordo com a história, quando Bárbara foi indagada pelo juiz sobre seus crimes, ela teria dito "que só respondeu ao chamado de seu Senhor Jesus Cristo".

Isso ficou deixou que Bárbara era culpada e que nada além da tortura a faria abdicar da liberdade religiosa e se tornar a mulher que era antes. Seguindo os protocolos, uma corte de carrascos foi convocada para que Bárbara fosse torturada em praça pública até decidir renunciar a sua fé.

(Fonte: Wikidata/Reprodução)(Fonte: Wikidata/Reprodução)

Para que a agonia da dor a forçasse a abdicar, Bárbara teve a pele mutilada e coberta por sal. Os seus seios foram perfurados, e ela foi arrastada pelos cabelos ao longo das ruas da Nicomédia. Quando alcançou os limites da cidade, várias partes do seu corpo foram queimadas com ferros em brasa. Já fraca e à beira da morte, Bárbara então foi degolada sem piedade por Dióscoro.

Após a morte, a jovem foi reconhecida como uma mártir da Igreja Ortodoxa Oriental e canonizada como Santa Bárbara. Na versão cristã da história, um raio atingiu Dióscoro no momento em que ele cortou a cabeça da filha.

O cabelo persa

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Além de ser arrastada pelos cabelos por Dióscoro e pelos carrascos, nada na história de Bárbara indica que ela tinha cabelos excessivamente longos ou que eles serviram como alguma espécie de escapismo, como é descrito nas versões futuras do conto.

Portanto, acredita-se que Basile tenha emprestado o cabelo comprido da epopeia persa chamada The Shahnameh (Épica dos Reis), escrita no século X pelo poeta Ferdusi.

Na história, em um estilo Romeu e Julieta do Oriente Médio, Rudaba é uma babilônica que vive em uma torre e acaba atraindo a atenção do jovem herói Zal, um persa que usa os longos cabelos dela para escalar a torre. Então, os dois vivem um amor proibido em virtude de suas origens inimigas.

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