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Robert Hanssen: o espião do FBI que se vendeu para a União Soviética

Nascido em 18 de abril de 1944, no apogeu da Segunda Guerra Mundial, Robert Hanssen sempre foi menosprezado pelo seu próprio pai, Howard Hanssen, que esperava que ele fosse um médico quando entrasse na faculdade. No entanto, não foi por esse caminho que Hanssen quis seguir.

Apesar de ter se formado em Química em 1966 pela Knox College, localizada a 320 quilômetros de onde havia nascido (em Illinois, Chicago), sua verdadeira paixão era por códigos e dispositivos. O interesse aumentou principalmente na faculdade, quando ele teve várias aulas de russo – e onde também decidiu que um dia pegaria espiões soviéticos.

(Fonte: Criminal Minds/Reprodução)(Fonte: Criminal Minds/Reprodução)

Hanssen atuou como contador antes de se candidatar para integrar o Departamento de Polícia de Chicago, em meados de 1972, onde foi aceito como investigador disfarçado da Divisão de Assuntos Internos devido ao seu conhecimento em codificação e russo. Mas não demorou muito para que ele se cansasse do trabalho, levando-o a se inscrever para um cargo no Departamento Federal de Investigação (FBI), em 1975.

Para sua surpresa, em 12 de janeiro de 1976, Hanssen foi admitido e se mudou para Quantico, em Virgínia, para receber todo o treinamento e ser empossado como agente especial, onde jurou lealdade aos Estados Unidos.

O traidor da América

(Fonte: Alchetron/Reprodução)(Fonte: Alchetron/Reprodução)

No entanto, o luxo que era trabalhar para o FBI não pagava o alto custo de vida na cidade grande com o salário miserável que era fornecido e as cargas horárias extenuantes, então Hanssen se viu endividado, forçando-o a se mudar para o subúrbio de Virgínia.

Foi nessa época que ele recebeu mais responsabilidades do FBI, quando foi transferido para a contra-espionagem, tendo acesso aos documentos ultrassecretos sobre espionagem do governo dos Estados Unidos.

(Fonte: History/Reprodução)(Fonte: History/Reprodução)

Hanssen descobriu todos os detalhes das operações de vigilância de civis e oficiais da União Soviética. Desesperado para conseguir sair da cova financeira na qual havia se metido, o homem teve a ideia de enviar uma carta anônima a um funcionário soviético da Organização das Nações Unidas, que lhe deu o nome do general Dmitri Polyakov, do Departamento Central de Inteligência (GRU) da URSS, em troca de US$ 20 mil.

Algumas semanas depois, Hanssen já estava a serviço da União Soviética. Ironicamente, ele foi promovido e transferido para Washington para trabalhar no Departamento de Orçamento do FBI, tendo mais acesso a informações sobre todas as operações, incluindo nomes, fundos, locais, datas, espiões e informantes infiltrados em outros governos.

Da ascensão à queda

(Fonte: La Neta/Reprodução)(Fonte: La Neta/Reprodução)

Em 1º de outbro de 1985, o homem comprou uma casa de US$ 150 mil em Virgínia e pediu por mais US$ 100 mil em troca de três informantes soviéticos que constavam na folha de pagamento do FBI para Victor Cherkashin, oficial da contra-espionagem da KGB. Os informantes foram mortos e Hanssen recebeu seu dinheiro em uma sacola deixada sob uma ponte no Parque Nottoway, em Virgínia.

Ao longo dos anos, Hanssen vendeu diversas informações para Cherkashin por milhares de dólares, enquanto desenvolvia suas tarefas junto ao FBI, recrutando novos informantes em potencial para caçar espiões, e sempre desviando a atenção de si mesmo. Foi por meio dele que a KGB descobriu o túnel cavado sob a embaixada soviética em Washington.

Estima-se que Robert Hanssen tenha lucrado mais de US$ 1 milhão com sua espionagem, fazendo viagens, gastando com amantes e jóias até 1991, quando a União Soviética começou a ruir.

(Fonte: Education Resource/Reprodução)(Fonte: Education Resource/Reprodução)

Levou até 18 de fevereiro de 2001 para que Robert Hanssen fosse interceptado por duas vans com agentes armados do FBI e acabasse preso. Ele foi indiciado por 14 acusações de espionagem e uma de conspiração, recebendo a pena de morte, mas seu advogado negociou uma acordo judicial que o fez escapar da pena de morte em troca de cooperação com as autoridades.

Hanssen foi condenado a 15 sentenças de prisão perpétua, e atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Florence, no Colorado, onde é chamado como "prisioneiro n.º 48551-083". Ele é mantido em confinamento solitário por 23 horas diárias.

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