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Eoin O'Duffy: o homem que quis instaurar o fascismo na Irlanda

Nascido em 28 de janeiro de 1890, em Castleblayney, no Condado de Monaghan (Irlanda), Eoin O’Duffy era o filho mais novo entre os sete do casal Owen Duffy e Bridget Fealy, pequenos proprietários de terras muito pobres. Assim como tantos outros, eles encontraram no cultivo de terras a única maneira de sobreviver e criar os filhos.

Munido do interesse que possuía por História e Renascimento Gaélico, O’Duffy entrou para os Voluntários Irlandeses em 1917, sendo um participante ativo da Guerra da Independência da Irlanda do Exército Republicano Irlandês (IRA). Começando como Comandante de Seção da Companhia de Clones, ele subiu rapidamente para o cargo de Capitão, depois Comandante e então foi nomeado a Brigadeiro, em 1919.

O’Duffy foi descrito como o “melhor homem do Ulster”. No entanto, na década de 1930, o homem começou a converter seus pensamentos ao fascismo. Tendo o ditador italiano Benito Mussolini como um ídolo, O’Duffy vislumbrava um futuro em que pudesse ter tanto poder quanto il Duce, e teria levado a Irlanda para os porões do fascismo igual diversos países nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial.

A outra face

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em 1922, O’Duffy foi convocado pelo governo para comandar a Força Policial Nacional da Irlanda, a Garda Síochána, que era duramente criticada por sua ineficiência. Levando os atributos da temperança e do catolicismo tradicional, nessa época O’Duffy já estava sendo dominado pelo extremismo, tanto que ficou perturbado pela ideia de que o chefe de Estado Éamon de Valera fosse comunista.

Determinado em removê-lo do poder, o homem considerou executar um golpe de Estado, uma vez que possuía as Forças Armadas ao seu dispor. Ele chegou até a identificar cada funcionário do governo que o apoiaria, porém acabou desistindo – embora não tenha escondido suas intenções. Quando Valera descobriu, em 1933, demitiu-o de seu cargo.

Embora o desprezo de O'Duffy pelos líderes do governo irlandês tenha causado sua demissão, sua reputação de eficiência e organização conquistou a admiração de muitos irlandeses comuns.

Os "blueshirts"

(Fonte: The Irish Times/Reprodução)(Fonte: The Irish Times/Reprodução)

Em julho daquele ano, ele foi convidado para ser o líder da Associação de Camaradas do Exército (ACA), que enaltecia veteranos de guerra e carregava o lema de “salvar o povo de todas as ameaças à liberdade”. Portanto, não demorou para que O’Duffy injetasse no ACA suas próprias crenças, renomeando-o "Guarda Nacional".

Ele ordenou que os integrantes usassem uniformes azuis, como as camisas negras de Mussolini, e que o saudassem com gritos de “Hoch O’Duffy”, uma fala equivalente a "Heil Hitler". O grupo ficou conhecido como os 'Blueshirts' (Camisetas azuis).

(Fonte: The Irish Times/Reprodução)(Fonte: The Irish Times/Reprodução)

Determinado em instaurar o fascismo, O’Duffy até organizou uma Marcha de Dublin, inspirada na Marcha de Roma feita por Mussolini, responsável por implementar o fascismo de vez. No entanto, ele foi impedido pelo governo, que o retirou de uma posição de suposta autoridade enquanto ele ameaçava seus seguidores de punição de morte.

Durante 1934, os "blueshirts" foram motivados a atacarem membros do IRA, policiais e qualquer civil que se opusesse a eles, gerando caos e terror na Irlanda. O’Duffy acreditava que ele se tornaria uma espécie de Benito Mussolini e se achava o "terceiro maior homem da Europa", quando ele e seu grupo não passavam de uma facção ridicularizada que não conseguia mais sustentar os próprios custos financeiros e políticos.

O fundo do poço

(Fonte: Wikipedia/Reprodução)(Fonte: Wikipedia/Reprodução)

O’Duffy até tentou fazer os "blueshirts" prosperarem no início da Guerra Civil Espanhola, montando um esquadrão de 700 voluntários motivados pelo anticomunismo e pró-catolicismo que ele pregava. A Brigada Irlandesa, como foi intitulada, foi tão patética quanto o grupo "blueshirts", e o máximo de confronto que encontrou foi uma troca de fogo amigo com outro grupo de voluntários.

Com isso, o que restou da carreira de Eoin O’Duffy, que tinha tudo para ser promissora, sucumbiu ao vexame e foi arruinada para sempre, sem ele sequer conseguir salvá-la com a publicação de seu livro Cruzada na Espanha, onde gastou 200 páginas cultuando sucessos fantasiosos.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Rechaçado pela política, ele cedeu ao alcoolismo. Em 1943, sua inutilidade era tamanha que os alemães ignoraram sua oferta em ajudá-los na Frente Oriental. Sua última tentativa foi assumir o controle da National Athletic and Cycling Association, onde defendia a prisão de ladrões de bicicletas, mas nem isso ele conseguiu administrar bem.

Em 30 de novembro de 1944, Eoin O’Duffy morreu aos 54 anos, sozinho e esquecido em sua casa em Dublin, com um legado de pura sujeira e humilhação que segue enraizado na história da Irlanda.

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