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'Pânico Vampiro': o fenômeno do século XVIII

Em julho de 1725, no vilarejo de Kisiljevo, na Sérvia, o Provisor Frombald, um oficial de saúde e segurança, foi convocado pelos moradores para identificar se Petar Blagojevic, morto há mais de 2 meses, estava fora de seu túmulo causando as várias doenças que assolavam o vilarejo.

A viúva de Blagojevic afirmou que seu marido esteve à porta de sua casa após o funeral, exigindo seus sapatos antes de tentar estrangulá-la. Depois disso, cerca de 9 aldeões teriam sido atacados pelo homem e morreram misteriosamente 24 horas depois.

Os "vampiros"

(Fonte: Yankee Magazine/Reprodução)(Fonte: Yankee Magazine/Reprodução)

Frombald detalhou em seu relatório oficial que os idosos da aldeia diziam que Blagojevic era um "vampiro", que naquele tempo significava "alguém que voltou da morte". 

Quando exumou o corpo do homem, Frombald anotou que a aparência e o cheiro do cadáver era de algo “fresco”. Ele percebeu sangue fresco ao redor da boca do homem – supostamente por sugar suas vítimas.

Por causa desses fatos, Frombald não conseguiu evitar que os aldeões cravassem uma estaca de madeira no peito de Blagojevic, fazendo jorrar sangue completamente fresco dos ouvidos e da boca do cadáver. 

Em seu relatório às autoridades, Frombald aceitou que tudo indicava que o homem "era de fato um vampiro"; no entanto, ele ressaltou que a culpa disso era dos moradores, que estavam fora de si de tanto medo. Seu relatório logo emplacou em matérias de jornais, levando ao primeiro uso impresso do termo "vampiro", que logo seria disseminado por toda a Europa.

Um problema antigo

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

No final das contas, o pânico do vampiro que surgiu naquela pequena aldeia não passava de um problema de saúde pública que existia desde o século XI na Europa: a proximidade entre vivos e mortos.

Os considerados "bons cristãos" se consolavam em saber que se deteriorariam ao lado de pessoas e familiares perto de suas casas, enquanto os padres ganhavam honorários com cerimônias e missas, bem como com a venda de imóveis post-mortem. A Igreja se beneficiou das casas e dos negócios construídos ao seu redor e não estava interessada em mudar isso, apesar de as populações estarem crescendo cada vez mais e tendo que conviver com os mortos enterrados em espaços urbanos.

O que os supersticiosos determinaram como "vampiros" não passavam de cadáveres que "ressuscitaram" pela falta de cuidado ao serem enterrados. Desde o final do século XVII, os corpos dos pobres ou vítimas da peste eram jogados em massa em fossas cobertas apenas com uma mortalha de tecido em covas de apenas dois metros de profundidade – o que bastava uma forte tempestade para fazê-los surgirem.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

A ciência médica falhou em explicar as anomalias post-mortem, como o motivo de alguns cadáveres estarem murchos até os ossos e outros tão corados e viçosos quanto quando estavam vivos.

Sendo assim, restou apenas a única cura medieval que as pessoas encontraram: exumar, estacar, decapitar ou queimar antes de espalhar as cinzas do "vampiro" em água corrente. Só com o surgimento do Iluminismo que essa ideia começou a parecer mais com o absurdo supersticioso que realmente era, principalmente para os bispos católicos e protestantes.

No início do século XVIII, os párocos já eram proibidos de realizar esse tipo de ritual. Por outro lado, demorou para que a prática perdesse força entre a população.

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