E se o Brasil tivesse ido contra os EUA na Segunda Guerra Mundial?

O Fall Weiss, plano estratégico de invasão contra a Polônia, aconteceu na manhã de 1° de setembro de 1939, logo após o agente Alfred Naujocks, um dos assassinos mais gabaritados do Esquadrão de Ações Especiais do Partido Nazista, ter concluído a última "operação de bandeira falsa" que constituía a Operação Himmler.

Só em setembro de 1942 que o Brasil entrou para a Segunda Guerra Mundial do lado dos Aliados, contrariando a ideia de que o governo brasileiro fosse aderir a coalizão do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

“Os pontos em comum entre o Estado Novo, Vargas e os nazifascistas eram evidentes tanto no campo econômico quanto político”, ressaltou Maria Aparecida de Aquino, professora da Universidade de São Paulo (USP).

A ruína

(Fonte: Observatório do Terceiro Setor/Reprodução)(Fonte: Observatório do Terceiro Setor/Reprodução)

Isso porque, em junho de 1940, um dia depois de os nazistas invadirem Paris, Vargas elogiou as nações que eram "fortes o suficiente para se imporem pela organização baseada no sentimento da pátria" e que "se sustentavam na convicção da própria superioridade".

No entanto, no início da guerra, o Brasil ficou em cima do muro, visto que a balança comercial do país era maior com a Alemanha do que com os Estados Unidos, mas foi por pouco que Vargas não aderiu ao Eixo.

Segundo Luís Fernando Ayerbe, da Universidade Estadual Paulista, a migração para o lado dos Aliados foi uma transação financeira e política que envolveu pressões diplomáticas e US$ 20 milhões para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional, no Rio de Janeiro.

(Fonte: O Globo/Reprodução)(Fonte: O Globo/Reprodução)

Se o Brasil se alinhasse ao Eixo teria criado um transtorno para a política externa de Franklin Roosevelt. “O Brasil ocupava uma posição importante no cenário da guerra, não só como fornecedor de produtos-chave, como o magnésio, mas também por ser uma ponte para uma ação militar na América do Norte”, pontuou Joel Wolfe, professor da Universidade de Rice, nos Estados Unidos (EUA), especialista em História do Brasil.

Além disso, o governo americano também tinha planos de contingência em vários cenários, como a ocupação do nordeste brasileiro caso Vargas aderisse ao Eixo, em uma operação que envolveria 150 mil soldados. Para Joel, no entanto, era algo meio improvável, sendo possível que os Aliados bloqueassem apenas o acesso aos portos brasileiros.

De qualquer forma, não importa em qual coalizão o Brasil se aderisse, o resultado da guerra teria sido o mesmo. Contudo, a derrota do Brasil abreviaria a Era Vargas e também jogaria o país em uma crise econômica e política que poderia resultar em sua ruína total se tivesse se juntado ao Eixo.

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