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De D. Pedro I à destruição: a saga da múmia Kherima no Brasil

Pouco se sabe sobre a trajetória em vida da Princesa do Sol, mais conhecida como Princesa Kherima, uma mulher que viveu na região de Tebas durante o Período Romano, entre os séculos I e III.

Estima-se que ela tinha por volta de 18 e 20 anos quando foi mumificada, e a causa da morte é indeterminada, bem como todas as informações sobre sua vida — incluindo seu nome.

Por outro lado, o que tornou Kherima tão rara foi seu processo de mumificação. Muito diferente da prática egípcia de envelopar as múmias com tecidos de linho, a jovem teve cada membro enfaixado individualmente, até o entorno dos dedos de seus pés e mãos, com faixas pintadas e decoradas com representações de símbolos místicos — alguns dos quais nunca foram decifrados.

Kherima estava entre as oito múmias preparadas dessa forma na História, todas datadas da mesma época e provenientes do mesmo sítio arqueológico onde ela foi encontrada.

A saga da princesa

(Fonte: Curiosidades Nota 10/Reprodução)(Fonte: Curiosidades Nota 10/Reprodução)

Em meados de 1826, a múmia Kherima chegou ao Brasil através de Nicolau Fiengo, um italiano considerado um “comerciante de antiguidades”. Com ele, também entraram no país uma coleção egípcia do explorador Giovanni Battista, responsável pelas escavações da Necrópole de Tebas e do Templo de Carnaque.

Foi em um leilão no Rio de Janeiro que a princesa Kherima encontrou seu novo possessor: Dom Pedro I. No mesmo ano, o imperador a doou ao Museu Nacional, localizado na região central da cidade, fundado em 1818.

(Fonte: BBC/Reprodução)(Fonte: BBC/Reprodução)

Foi ao longo da década de 1960, quando foi permitido erguer a tampa de vidro da redoma do leito de Kherima e tocar em seu corpo mumificado, que surgiram as histórias macabras. A mais famosa, porém, era de que a pessoa que encostasse em Kherima era arrebatada por um transe.

Aqueles que vivenciaram a experiência alegam que a múmia era uma integrante da realeza egípcia que morreu esfaqueada quando ainda era virgem. Com o aumento do frenesi ao redor dessas lendas, um professor da Sociedade de Amigos do Museu Nacional, chamado Victor Stawiarski, passou a dar aulas de egiptologia na mesma sala onde ficava Kherima. Ele ministrou cursos com a participação de médiuns e hipnólogos, que só serviram para reforçar o mistério ao redor do cadáver.

(Fonte: Vice/Reprodução)(Fonte: Vice/Reprodução)

A princesa Kherima desapareceu com todos seus mistérios em meio às chamas durante o devastador incêndio de 2 de setembro de 2018 que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, considerado o maior antro de História Natural e Antropologia da América Latina.

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