Como a morte de Maurizio Gucci abalou o mundo da moda?

No dia 27 de março de 1995, uma tragédia impactou o mundo da moda: o herdeiro de um dos maiores impérios de moda, Maurizio Gucci, foi morto a tiros na escadaria do escritório da Gucci em Milão. O crime foi encomendado por sua ex-esposa, Patrizia Reggiani, uma socialite com quem havia-se casado na juventude.

Inclusive, foi Reggiani quem ajudou Gucci a se tornar diretor da empresa, apenas para planejar sua morte tempos depois. A história foi tão impactante para o cenário da moda que acabou virando enredo para o filme Casa Gucci (2021), do diretor Ridley Scott, com Lady Gaga no papel de Reggiani  e Adam Driver interpretando Gucci.

Os primeiros anos de Maurizio Gucci

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Nascido no dia 26 de setembro de 1946, Maurizio Gucci veio ao mundo na cidade de Florença, na Itália, onde seu avô Guccio Gucci havia fundado a famosa grife italiana, em 1921. Quando seu tio Alvo assumiu a empresa, após a Primeira Guerra Mundial, a marca era usada por todo tipo de celebridade em Hollywood.  Maurizio era filho dos atores Rodolfo Gucci e Sandra Ravel.

Em uma das festas da família em Milão, acabou conhecendo sua futura esposa, Patrizia. Ela também vinha de uma família com bastante dinheiro e costumava frequentar diversos eventos importantes entre as décadas de 1960 e 1970.

“Quem é aquela linda garota vestida de vermelho que se parece com Elizabeth Taylor?”, teria perguntado Gucci a um amigo. Apesar dos avisos de seu pai sobre a índole da mulher, o rapaz estava apaixonado. Na visão de Rodolfo, a garota era uma alpinista social ambiciosa que visava apenas "mais dinheiro". "Eu não posso deixá-la, pai. Eu a amo", replicou Maurizio Gucci.

A união entre Gucci e Reggiani

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Os dois tinham 24 anos quando se casaram, em 1972. Acostumados a uma vida de muitos luxos, o casal era constantemente visto em enormes iates, em uma cobertura em Manhattan, uma fazenda em Connecticut, um lugar em Acapulco, um chalé de esqui em St. Moritz.

Juntos tiveram duas filhas, Alessandra e Allegra. Foi com Reggiani como sua conselheira que Maurizio Gucci decidiu enfrentar seu pai. Após a morte de Rodolfo em 1983, o jovem Gucci tornou-se herdeiro de 50% da empresa de moda. Depois desses acontecimentos, ele decidiu que era hora de parar de ouvir sua esposa e montar uma estratégia própria para tomar controle total do negócio.

Como resultado, criaram-se inúmeros conflitos familiares, o divórcio do casal e posteriormente o assassinato dele. Em 1993, ele decidiu vender a empresa por US$ 120 milhões, perdendo o controle sobre a dinastia da família. “Eu estava com raiva de Maurizio por causa de muitas, muitas coisas naquela época, mas perder o negócio da família foi estúpido. Eu não podia fazer nada", disse Reggiani após os acontecimentos.

A morte de Maurizio Gucci

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Às 8h30 do dia 27 de março de 1995, um atirador não identificado disparou três tiros nas costas de Maurizio Gucci e mais um na cabeça, quando o homem já estava caído. Foram mais dois tiros na direção do porteiro Giuseppe Onorato antes de entrar em um veículo de fuga.

Onorato foi atingido no braço e correu para tentar resgatar Gucci, mas nada mais podia ser feito, o ícone do mundo fashion estava morto. As autoridades já suspeitavam de Reggiani após as declarações fortes que ela fez à imprensa após seu divórcio, mas nenhuma evidência conectava-a ao crime.

Em 1997, a polícia da Lombardia recebeu uma denúncia anônima que afirmava ter escutado um porteiro se gabando de ter contratado o assassino de Gucci. Durante as investigações, as autoridades chegaram aos nomes de Ivano Savioni, um clarividente chamado Giuseppina Auriemma, o motorista da fuga Orazio Cicala e o assassino Benedetto Ceraulo.

A incriminação de Reggiani

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Nessa mesma época, a polícia grampeou os telefones de Patrizia Reggiani e conseguiu com que ela se incriminasse para um policial disfarçado que se fazia passar por um assassino profissional pedindo pagamento pelo telefone. Todos os suspeitos foram presos por homicídio premeditado no dia 31 de janeiro de 1997.

O julgamento do caso aconteceu em 1998 e durou cerca de 5 meses. Reggiani foi chamada de "viúva negra" pelos jornais italianos. Ao ser questionada se havia pagado US$ 365 mil para que Auriemma achasse um assassino para a morte do ex-marido, ela chegou a responder que "valeu cada centavo."

Mesmo alegando incapacidade mental após ter feito uma cirurgia na cabeça para a retirada de um tumor em 1992, Patrizia Reggiani foi julgada como culpada. Ela e Cicala foram sentenciados a 29 anos de cadeia em novembro de 1998. Savioni recebeu 26 anos de pena, Auriemma 25 anos e Ceraulo recebeu pena de morte. Em 2014, Reggiani saiu da cadeia, mas continua afastada de suas filhas. 

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