Qual é o verdadeiro cachorro-quente?

Da mesma série de discussões como “feijão por cima ou por baixo do arroz?” ou “biscoito ou bolacha?”, a forma como cada região do Brasil elabora sua própria receita de cachorro-quente é outro tema que gera um embate cultural muito forte. Afinal, o cachorro-quente deve vir com purê de batata ou batata palha? Quais outros ingredientes podem fazer parte do prato?

Embora cada povo escolha sua própria verdade, o fato é que o tradicional hot dog não é um prato tipicamente brasileiro e tem uma fórmula muito mais singela do que a nossa. Por isso, hoje falaremos mais sobre a origem desse prato e toda a polêmica que ele causa em nosso país.

Origem do cachorro-quente

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Tradicionalmente vendida em jogos de beisebol e em basicamente todas as esquinas dos Estados Unidos, o verdadeiro cachorro-quente nasceu na década de 1860, logo após o país começar a se recompor da Guerra Civil Americana e passar a construir uma nova identidade.

Por mais que diferentes tipos de hot dog sejam vendidos pelas cidades dos EUA, a receita original surgiu em um calçadão de Coney Island, em Nova York. A primeira pessoa a negociar um cachorro-quente foi o açougueiro alemão Charles Feltman, que decidiu montar sua própria barraquinha e vender sanduíches com somente três ingredientes: salsicha, mostarda e chucrute.

Com o sucesso do empreendimento no fim do século XIX, Feltman decidiu abrir um restaurante. Em 1913, ele contratou o empresário Nathan Handwerker para se juntar ao seu negócio. Anos depois, Handwerker acabou abrindo seu próprio negócio de cachorro-quente e se tornou um concorrente de seu antigo empregador. Sua loja chamava-se Nathan’s Famous — que, inclusive, abriu franquias na cidade de São Paulo em 2021. 

Sucesso do sanduíche

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Em 1867, Feltman decidiu personalizar um carrinho de vendas para que pudesse caminhar com ele pelas praias de Coney Island junto de um braseiro a carvão para cozinhar salsichas e uma caixa de metal para aquecer o pão. Naquele ano, ele vendeu quase 4 mil sanduíches.

Como o pão era modificado para acomodar a salsicha com maior facilidade, o cachorro-quente logo se tornou um produto desejado para se comer nos momentos de descontração. Por mais que os hot dogs sejam fruto da cultura norte-americana, muito de sua composição tem origem na Europa.

Afinal, países como a Alemanha e a Áustria disputam a autoria pela criação da salsicha — completamente indispensável para a confecção do sanduíche. Além disso, esse produto só foi chegar aos EUA graças à chegada de imigrantes no século XIX.

Cachorro-quente no Brasil

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Como de lei, o que os outros criam na culinária o brasileiro aperfeiçoa, e não foi diferente com a receita do cachorro-quente norte-americano. Para adaptar o sanduíche ao paladar da nossa cultura, cada região acabou desenvolvendo uma receita própria que se tornou original.

Por conta disso, é comum que os brasileiros disputem entre si para ver quem tem o melhor hot dog do país e qual pode ser considerado o mais estranho. Algumas receitas tradicionais que podemos encontrar em algumas partes do Brasil são:

  • Sul: por conta da grande influência dos imigrantes alemães, o cachorro-quente pode conter a tradicional salsicha alemã em sua composição. Além disso, chucrute e mostarda escura são elementos bem-vistos.
  • Rio de Janeiro: a receita de cachorro-quente pode ser bem maluca para quem visita à segunda maior cidade do país. Nesse caso, a pessoa pode acabar encontrando batata palha, vinagrete, calabresa grelhada, ovo de codorna, azeitona, queijo parmesão ralado e até mesmo uva-passa no pão.
  • São Paulo: os paulistas adoram colocar bastante maionese e purê de batata em suas receitas de cachorro-quente. Além disso, milho, vinagrete e ervilha são ingredientes frequentes. O pão, por sua vez, pode ser prensado ou não.
  • Nordeste: o cachorro-quente não é exatamente uma das comidas favoritas dos nordestinos, mas eles também têm suas versões. Na Paraíba, por exemplo, usa-se carne moída bem temperada, ovo de codorna, azeitona, vinagrete, coentro e queijo coalho ralado.
  • Norte: em Manaus, o cachorro-quente ganha o nome de Kikão e leva salsicha, molho de tomate, maionese, batata palha e queijo ralado. Já no Pará, a receita pode ter um molho especial à base de tucupi e folhas de jambu.
  • Centro-Oeste: o cachorro-quente de Brasília é parecido com o de São Paulo, mas também apresenta a tradicional pasta de alho. Em Cuiabá, por outro lado, você pode achar receitas com muçarela derretida, tomate, alface e, às vezes, frango desfiado.

E para você, qual é o melhor de todos? Conta para a gente nos comentários e dê a sua explicação!

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