Jim Corbett: o homem que caçou os felinos mais perigosos da Terra

Rastreador e naturalista notável durante o século XX, Jim Corbett foi o responsável por salvar inúmeras vidas humanas nas regiões de Agra e Oudh, na Índia, utilizando seus talentos para caçar predadores que vitimaram centenas de pessoas.

Filho da região de Kumaon, antiga colônia britânica, ele dedicou sua carreira à preservação e conservação de espécies na tentativa de mostrar que era possível estabelecer harmonia após cada indivíduo ocupar devidamente seu território.

(Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)(Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)

Nascido em 25 de julho de 1875 na cidade indiana de Nainital, sopé do Himalaia, Edward James Corbett passou parte da infância explorando as belezas naturais da região. Com apenas 6 anos de idade, o jovem Jim viu seu pai morrer de ataque cardíaco, sendo forçado a se mudar para as florestas de Kaladhungi com a mãe após seu irmão assumir o cargo de agente dos correios.

Foi então que na nova casa, conhecida como "Arundel", Corbett se tornou adepto da caça e do rastreamento de animais, abandonando a escola em que estudava aos 18 anos para trabalhar na Bengal and North Western Railway como inspetor de combustível. Foi lá que Corbett foi convocado para sua primeira missão oficial: eliminar a lendária tigresa-de-bengala, apelidada de Tigresa de Champawat.

A caça à devoradora de homens

Durante o final do século XIX e início do século XX, a Tigresa de Champawat foi responsável por assassinar cerca de 430 pessoas na fronteira entre a Índia e o Nepal. Conseguindo evitar caçadores do exército nepalês com sua agilidade e ousadia, todos os seus ataques registrados ocorreram exclusivamente à luz do dia.

Com rugidos apavorantes e temidas aparições nas estradas de Kumaon, a tigresa-de-bengala passou a ser vista como serial killer na Índia, e isso mudou o estilo de vida dos nativos.

(Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)(Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)

Foi então que Corbett se juntou a mais de 300 moradores para fazer um cerco ao animal, conseguindo visualizá-lo a distância para conseguir acertar um tiro de espingarda. Com isso, não apenas a tigresa encontrou o seu fim, mas o caçador também ganhou reconhecimento nacional, virando o primeiro nome a ser lembrado pelas autoridades quando havia a necessidade de procurar indivíduos assassinos.

Nos anos seguintes, o rastreador indiano exterminou o Leopardo de Panar, que havia matado mais de 400 pessoas; o Leopardo de Rudraprayag, que caçou peregrinos hindus de Kedarnath e Badrinath por mais de uma década; mais 30 felinos selvagens, incluindo tigres e panteras, que juntos totalizaram mais de 1,2 mil assassinatos humanos. Curiosamente, Corbett nunca sofreu sequer um único arranhão de seus inimigos.

O legado de Corbett

(Fonte: Jim Corbett National Park/Reprodução)(Fonte: Jim Corbett National Park/Reprodução)

Em 1936, Corbett tornou-se pivô na fundação do primeiro santuário nacional indiano — Parque Nacional Hailey —, construído perto das colinas onde o caçador nasceu.

O local foi feito para abrigar espécies que não conseguiam estabelecer bom convívio com a sociedade. O feito, apesar de contradizer as dezenas de mortes de animais operadas por ele, foi resultado de uma reflexão sobre o perigo de deixar espécies incompatíveis em um mesmo território; dessa forma, ajudando seres selvagens a perpetuar suas vidas sem prejudicar as pessoas.

Um ano depois, o naturalista se mudou para o Quênia e lançou o livro The Man-Eating Leopard of Rudraprayag (O Leopardo Comedor de Homens de Rudraprayag, em tradução livre), dando palestras em universidades e sendo convocado para entrevistas sobre seus feitos. O caçador de feras morreu da mesma forma que seu pai, em 19 de abril de 1955, e recebeu uma homenagem póstuma em 1956, com o Parque Hailey sendo chamado oficialmente de Jim Corbett National Park.

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