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Marie Taglioni: quando fãs jantaram suas sapatilhas de balé

Nascida em 23 de abril de 1804, em Estocolmo (Suécia), Marie Taglioni sempre teve sua vida cercada pela dança. Seu pai, Filippo Taglioni, era coreógrafo e dançarino; e sua mãe, Sophie Karsten, era bailarina e pintora. Então, era praticamente o destino dela seguir os passos de uma carreira artística.

Ainda muito jovem, Marie Taglioni se mudou para Viena com sua família e foi onde começou seu treinamento de balé sob a direção de Jean-François Coulon e de seu pai. Mas, apesar de ter sido treinada por Coulon, nomeado mestre de balé da corte em Viena, a técnica dela não estava de acordo com os padrões que impressionavam o público.

Para aperfeiçoar isso, o pai da moça criou uma rotina de treinamento rigorosa de 6 meses, com jornadas de 2 horas diárias pela manhã de exercícios com foco nas pernas e mais 2 horas à tarde com foco em movimentos que a ajudariam a refinar sua postura na dança.

O marco de uma era

Marie Taglioni. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)Marie Taglioni. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Devido às suas proporções físicas limitantes, a jovem Taglioni se esforçou o máximo que conseguiu, aumentando a amplitude de movimentos e desenvolvendo sua força. Ela, então, concentrou sua energia em sua forma para o público, apostando menos em truques muito elaborados e piruetas desafiadoras. Dessa forma, ela estreou no balé La Reception d’une Jeune Nymphe à la Cour de Terpsichore.

Foi só ao ingressar na Ópera de Paris, aos 23 anos, que Taglioni ganhou fama como dançarina, principalmente quando seu pai criou o balé La Sylphie, em 1832, projetado para mostrar o talento dela. Foi o primeiro espetáculo em que essa bailarina tinha que dançar na ponta dos pés.

Ao longo de toda sua carreira, ela se tornou uma celebridade de valor inestimável para o século XIX, com fãs obcecados por toda a parte. Seu porte atlético e artístico como dançarina se tornou uma característica lendária, com sua delicadeza incomparável conquistando a todos.

O jantar inesperado

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

O fanatismo de seus fãs foi algo que se destacou em sua carreira, porque ninguém havia sido tão adorado assim até então. Em 1842, todo esse amor incondicional foi além de flores e autógrafos na porta do teatro.

Tudo aconteceu quando um escritor de viagens e comentarista chamado Edward Tracy Turnerelli alegou ter comprado as sapatilhas de Taglioni pelo equivalente a US$ 12 mil. A compra teria sido feita por meio de um dono de hotel que disse que a bailarina as esqueceu no quarto onde estava hospedada. Turnerelli, um fã assíduo da mulher, juntou-se a outros 35 fãs para angariar dinheiro o suficiente e comprá-las.

Em posse das sapatilhas, Turnerelli afirmou que as preparou como um fricassê, mas no lugar da carne optou pelo instrumento de trabalho de Taglioni, coberto por um caldo de molho branco. E, para fazer o prato descer bem, ele abriu o melhor champanhe que seu dinheiro conseguiu comprar. Com os demais fãs, ele comeu a sapatilha de tecido inteira, do estofado às solas de couro.

Até hoje não se sabe qual é o fundo de verdade presente em toda a história desse jantar, mas isso foi infame o suficiente para se tornar um sucesso. Verdade ou não, o único que saiu ganhando foi o dono do hotel, que faturou muito sem ter que provar que as sapatilhas eram ou não de Marie Taglioni.

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