Como o livro de Edgar Allan Poe 'amaldiçoou' um nome

Da vida à morte, a jornada do notório escritor do século XIX Edgar Allan Poe (1809-1849) é repleta de mistérios, enigmas e infortúnios. Lembrado por seus contos e poemas macabros que conversam com o mundo espiritual, como O Corvo e A Morte da Máscara Rubra, Poe nunca escreveu um romance completo; mas quando decidiu fazer isso, nasceu o The Narrative of Arthur Gordon Pym of Nantucket.

O livro retrata a história de Pym, um jovem bêbado que decide navegar pelo mar em um pequeno barco com seu amigo Augustus Barnard, quando são apanhados por uma forte tempestade que acaba despedaçando a embarcação.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Apesar de quase não sobreviverem à primeira aventura, Pym não consegue ser dissuadido de sua vontade de navegar, e sua imaginação é estimulada ainda mais quando Augustus conta a história de vida de um marinheiro que conhece e que tem um baleeiro chamado Grampus, comandado por seu pai.

Pym sobe a bordo do barco de maneira clandestina e se esconde no porão. Augustus promete fornecer água e comida a ele até que o navio estivesse muito longe da costa para que o jovem fosse expulso quando aparecesse. No entanto, um motim violento acontece enquanto ele fica inconsciente devido à falta de comida e o ar abafado.

O medo de um nome

(Fonte: Ripley/Reprodução)(Fonte: Ripley/Reprodução)

A paz é reestabelecida quando Augusto e Dirk Peters, um dos amotinados arrependidos, elabora um plano para acabar com a briga e assumir o controle do navio: Peters veste a roupa de um dos marinheiros mortos e ameaça os amotinados como um fantasma.

O plano dá certo, mas, devido ao temporal, que danifica a embarcação, eles ficam sem suprimentos. Richard Parker, um dos amotinados, sugere que um pequeno grupo deverá se sacrificar para que seu corpo seja canibalizado pelos demais. Ele mesmo acaba sendo comido, e Augusto morre devido a um ferimento adquirido durante a tempestade. Peters e Pym são resgatados à beira da morte por um navio.

(Fonte: David Kidd/Reprodução)(Fonte: David Kidd/Reprodução)

A série de eventos com contextos bizarramente semelhantes à história de Poe, começou a partir do caso da pequena embarcação Mignorette, que partiu da Inglaterra com destino a Austrália em 19 de maio de 1884.

O barco costeiro de 16 metros de comprimento construído há mais de 20 anos não era projetado para aguentar esse tipo de viagem longa e arriscada até mesmo para os navios mais robustos durante a tempestade que caiu.

Em poucos minutos, a embarcação foi destruída, deixando seus quatro tripulantes à deriva. Quando um deles adoeceu ao beber água do mar em um ato de desespero, os demais companheiros decidiram matá-lo para tomar seu sangue e comer sua carne, visando garantir a própria sobrevivência. Curiosamente, a vítima se chamava Richard Parker.

(Fonte: David Kidd/Reprodução)(Fonte: David Kidd/Reprodução)

Coincidência ou não, além de o caso ter chegado à Suprema Corte devido ao seu contexto infame, a partir daquele momento, o nome Richard Parker foi associado a vários marinheiros que morreram naufragados ao longo dos anos, ou que tiveram seus corpos canibalizados.

A voracidade do nome, supostamente “amaldiçoado” pela criatividade de Poe, entrou para a cultura popular de tal forma que o autor Yann Martel chamou seu tigre-de-bengala de Richard Parker no livro As Aventuras de Pi.

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