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5 brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil

Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Dom Pedro II, foi responsável por assinar a Lei Áurea, a qual decretou a abolição da escravatura no país, mas não garantiu qualquer medida de compensação ou apoio aos ex-escravizados. No âmbito histórico, a participante da realeza ficou conhecida como a responsável pelo fim da escravidão, mas a verdade é muito mais complexa.

Foram 3 séculos de trabalho escravo, que significaram mais de 4,9 milhões de africanos traficados para o Brasil e mais de 600 mil mortos. Antes da assinatura do documento que mudou o panorama nacional, houve muita luta e, por isso, nós fizemos uma lista com cinco brasileiros que também lutaram para acabar com a escravidão em nosso país. Olha só!

1. Luís Gama

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Nascido em 1830 na cidade de Salvador, Luís Gonzaga Pinto da Gama era filho de mãe africana livre e pai branco português. Aos 10 anos de idade, Gama ficou sob os cuidados de um amigo do seu pai, que lhe vendeu. Logo, saiu de uma vida livre para um futuro de escravidão.

Trabalhou anos em São Paulo como escravizado doméstico. Aos 17 anos, aprendeu a ler e a escrever com um estudante de Direito, tornando-se apto a reivindicar sua liberdade. Foi assim que se tornou um advogado e criou a própria linha de ativismo abolicionista, entrando com ações na Justiça para libertar escravos. Estima-se que ele tenha conseguido a liberdade de 500 pessoas.

2. André Rebouças

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

André Rebouças nasceu em uma família negra e livre na Bahia, em 1838. Ainda jovem, começou a estudar engenharia e a trabalhar na área. Foi assim que se tornou responsável por diversas obras importantes no país, como a estrada de ferro que liga Curitiba ao Porto de Paranaguá. 

Dessa forma, conquistou respeito e ascensão social. Porém, seu maior trabalho veio fora da engenharia. Em uma das obras que participou, pediu que o escravizado Chico, que era operário, fosse libertado. Foi assim que se juntou à causa abolicionista e passou a defender que escravizados tivessem acesso à terra e a direitos. Como era apoiador da família real brasileira, Rebouças exaltou Isabel como patrona da abolição.

3. Maria Firmina dos Reis

(Fonte: André Valente/BBC)(Fonte: André Valente/BBC)

Em 1825, Maria Firmina nasceu no Maranhão. Negra e livre, formou-se como professora primária e publicou o livro considerado o primeiro romance abolicionista no Brasil: Úrsula (1859). A história fala sobre um triângulo amoroso que envolve três personagens negros questionadores do sistema escravocrata.

Nessa mesma época, publicou diversos contos, poemas e artigos sobre a escravidão em revistas de denúncia no Maranhão. Aos 55 anos de idade, criou uma escola gratuita e mista para crianças pobres, na qual lecionava, abrindo portas para quem havia saído da escravidão e buscava meios de subir na vida.

4. Maria Tomásia Figueira Lima

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Nascida e crescida em uma família tradicional de Sobral, no Ceará, Maria Tomásia Figueira Lima se mudou para Fortaleza para se casar com o abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima. Foi lá que ela acabou se tornando uma das principais articuladoras do movimento que forçou o Estado a decretar o fim da escravidão antes mesmo da Lei Áurea. 

Foi cofundadora da Sociedade das Cearenses Libertadoras, a qual unia mulheres de famílias influentes em prol da abolição. Juntas conseguiram a carta de alforria de mais de 80 escravizados. Por fim, ela também esteve presente na Assembleia Legislativa no dia 25 de março de 1884, quando o ato oficial de libertação dos escravizados do Ceará foi realizado, dando força ao movimento abolicionista no país todo.

5. Adelina, a charuteira

(Fonte: André Valente/BBC)(Fonte: André Valente/BBC)

Adelina era filha bastarda e escravizada pelo próprio pai, assim passou a vender charutos que ele produzia nas ruas e estabelecimentos comerciais de São Luís, no Maranhão. Seu sobrenome verdadeiro nunca foi descoberto, assim como sua data de nascimento e de morte.

Mesmo assim, é sabido que ela prendeu a ler e a escrever ainda como escravizada. Então foi assim que passou a acompanhar os discursos abolicionistas que via nas ruas e se juntar à causa. Segundo historiadores, Adelina passou muito tempo trabalhando como "espiã", passando informações que conseguia sobre ações policiais e estratégias dos escravistas.

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