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São Sebastião: o santo cristão que virou protetor dos gays

A história de São Sebastião, considerado padroeiro do Rio de Janeiro, envolve muitas reviravoltas. Apesar de ser cristão, tornou-se soldado com a ideia de agir como agente duplo infiltrado no Império Romano. Seu objetivo? Ajudar outros cristãos que haviam sido condenados e estavam sofrendo retaliações.

Diz a história que Sebastião teria sido descoberto nesse processo e martirizado duas vezes. Inclusive, a primeira vez teria sobrevivido a algumas flechadas, que posteriormente se tornaram características de sua representação sacra. Então, como esse santo saiu de ser venerado pelos cristãos para se tornar um ícone gay? Vamos nos aprofundar sobre o tema.

A vida de São Sebastião

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Por conta dos relatos hagiológicos antigos, Sebastião acabou virando uma figura muito querida entre os cristãos. No entanto, mais recentemente acabou sendo apropriado por comunidades LGBT e se tornou um verdadeiro ícone gay. Sua história, porém, começa muito no passado.

Sebastião foi um dos muitos soldados romanos martirizados por sua fé em Jesus. Sua vida é contada em três documentos antigos: a Legenda Aurea, o Martirologio — registro feito no ano de 354 — e as Acta Santorum. Esses textos afirmam que ele teria nascido em Narbonne, cidade do Império Romano, em 250, onde praticou muitos atos de amor e caridade para seus irmãos cristãos.

Ele teria se alistado ao exército romano em 283, quando já vivia em Milão. Foi ganhando a confiança dos romanos até alcançar o cargo de capitão da guarda do imperador. Assim, pôde cumprir seu objetivo de ajudar os cristãos que vinham sendo aprisionados.

Duplo martírio

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Reza a lenda que, após descobrirem a sua traição, Sebastião teve que ser martirizado duas vezes — ele teria sobrevivido à primeira tentativa. Segundo as hagiografias antigas, o responsável por descobrir a fé do jovem soldado e condená-lo a morte teria sido o imperador Diocleciano (244-311).

Segundo a história, o líder romano teria ordenado que o rapaz fosse pendurado em um poste de madeira para ser torturado com flechadas até a morte, por isso o conhecemos com a imagem de um santo com flechas no corpo. Após sobreviver a tamanha agressão, São Sebastião teria recebido uma cura milagrosa e procurado o imperador mais uma vez para reafirmar sua fé.

Acabou sendo condenado de novo, desta vez para ser açoitado até a morte. Para ter certeza de que ele estava morto, ainda foi ordenado para que os demais soldados do exército romano jogassem seu corpo no sistema de esgoto de Roma.

Ícone gay

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

A ideia de que Sebastião seria um ícone LGBT surgiu através do ensaio Losing His Religion: San Sebastian As A Contemporary Gay Martyr, escrito pelo pesquisador norte-americano Richard Kaye, PhD pela Universidade de Princeton. O texto de Kaye apresenta o santo como uma figura muito querida pelos imperadores romanos de seu período, que sempre o queriam por perto.

Sendo assim, o autor insinua que Sebastião teria sido mais que apenas um guarda pessoal para os líderes de Roma, mas também um amante. Além disso, a imagem do santo também foi vista na contemporaneidade como um símbolo de luta e resistência por membros das comunidades LGBT — sendo um cristão sem medo de se assumir.

Em entrevista à BBC, Kaye afirma que os relatos de que Sebastião mantinha "uma espécie de vínculo emocional com seus oficiais" e textos que o demonstram como "muito amado pelos imperadores" apenas ressaltam essa interpretação.

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