Seja o primeiro a compartilhar

Como são construídos os metrôs de São Paulo?

Os cidadãos de São Paulo foram surpreendidos nesta terça-feira (01) ao notarem uma cratera se abrindo na Marginal Tietê, considerada a principal via expressa da cidade. O desastre teria sido causado após o asfalto ter cedido ao lado da obra do Metrô da Linha 6-Laranja, em uma parte na Zona Norte do município.

Embora nenhuma pessoa tenha saído ferida do incidente, houve uma grande paralisação do trânsito no período da manhã e por causa disso muita água jorrou para fora das obras. Dois funcionários atingidos pelo líquido foram resgatados pelos bombeiros. Mas o que pode ter causado tamanho estrago? Para entender essa situação, vamos olhar mais a fundo como os metrôs de São Paulo são construídos. Olha só!

Métodos de construção

(Fonte: Renato Lobo/Divulgação)(Fonte: Renato Lobo/Divulgação)

Como São Paulo é uma cidade fisicamente diversa, as linhas de metrô são concebidas de forma que não causem estrago na superfície de onde estão passando — principalmente por serem áreas densamente povoadas. Por esse motivo, é difícil que as construtoras usem um único método para todos os projetos.

Em geral, é comum que exista uma alternância de estruturas, podendo ser em superfície, elevadas ou subterrâneas. As linhas de metrô têm um comprimento que varia de 20 a 25 km, cada uma delas com um custo diferente baseado nos aspectos que precisam ser levados em consideração. 

Superfície

Os metrôs de superfície são os mais utilizados, principalmente em áreas de baixa ocupação ou canteiros centrais de avenidas com larguras adequadas. Por motivos de segurança, essas linhas também necessitam da construção de muros altos pelo perímetro, formando um bloqueio contínuo só transposto pelas vias.

Essas vias são assentadas em lastro sobre dormentes de madeira ou concreto protendido. Antes da finalização do projeto, é necessário avaliar elementos como as perturbações no sistema viário, poluição do ar, propagação de ruídos e vibrações, interferência com as redes de serviços públicos e até prejuízos nas atividades socioeconômicas. 

Elevado

Assim como acontece com as estruturas na superfície, o metrô elevado gera grande impacto à paisagem urbana. Para isso, é necessário usar métodos construtivos com prazos encurtados e que utilizem material rodante, minimizando o barulho emitido pelos vagões. Além disso, esse sistema requer um tratamento extensivo para diminuir ruídos e vibrações.

O metrô elevado normalmente aparece em faixas da cidade desocupadas ou em avenidas com largura superior a 40 metros. Nesse cenário, os resultados são maximizados por estarem a uma distância razoável das fachadas de edifícios. Em topografias muito acidentadas, esse tipo de via é impossibilitado por não se adaptar muito bem.

Subterrâneas

(Fonte: Guilherme Bessa/Divulgação)(Fonte: Guilherme Bessa/Divulgação)

As linhas subterrâneas correspondem a 50% dos investimentos da obra civil para esse segmento. São as mais apropriadas para áreas densamente ocupadas e proporcionam menor impacto à superfície, isso gera menos interrupções do tráfego e na preservação do patrimônio histórico. 

O Metrô de São Paulo foi o primeiro a utilizar, no Brasil, uma máquina tuneladora de grande diâmetro, que logo foi apelidada pelos paulistas de "tatuzão". Esse método é utilizado na região desde a década de 1970. A escavação é efetuada por equipamento mecanizado, com frente aberta ou fechada, sob a proteção da couraça. 

Acidente na Marginal Tietê

(Fonte: TV Record/Reprodução)(Fonte: TV Record/Reprodução)

De acordo com o depoimento do secretário dos Transportes Metropolitanos, José Galli, o acidente na construção da Linha-6 laranja do metrô foi causado pelo vazamento de uma galeria de esgoto, que passava 3 metros acima da máquina tuneladora utilizada para fazer a linha.

Com isso, o solo que ainda sobrava acabou não resistindo ao peso da água e se rompeu. Uma auditoria ainda será aberta para investigar o caso com mais detalhes. Entretanto, Galli disse que não há indícios de que o "tatuzão" tenha atingido a tubulação.  

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.