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Guarda Varegue: os vikings que serviam ao Império Bizantino

Durante séculos, vikings de diversas partes do planeta viajaram até a Escandinávia para se unir à Guarda Varegue, um seleto grupo de guerreiros cuja função era proteger o imperador bizantino e a cidade de Constantinopla. Esse grupo possuía um papel fundamental no Império Bizantino e reunia soldados leais, ferozes e armados com machados de dupla face.

Suas funções eram patrulhar os salões do Grande Palácio, acompanhar o imperador à guerra e manter a ordem nas ruas. Os guardas eram tão apreciados pelo governo bizantino que muitos deles ganharam recompensas extravagantes pelos seus serviços — inclusive com um membro se tornando rei da Noruega. Conheça mais sobre essa história!

Formação da Guarda Varegue

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Por volta dos anos 800 d.C., diversos vikings invadiram a costa da Inglaterra. Porém, alguns decidiram continuar viajando para o leste em busca da prata árabe. Então, eles navegavam pela Europa Oriental, saqueando todos à medida que avançavam. Foi então que parte deles se estabeleceu no Oriente e seus líderes assumiram nomes eslavos.

Por volta do ano 980,  os filhos do príncipe Sviatoslav I de Kiev iniciaram uma disputa pelo trono da região e Vladimir I de Kiev convocou 6 mil guerreiros da vizinha Suécia para lhe ajudar nessa batalha. Esses soldados não apenas o ajudaram a conquistar a região, mas também lançaram as bases para a Guarda Varegue.

Menos de uma década depois, Basílio II do Império Bizantino procurou Vladimir em busca de ajuda militar. Ele precisava de ajuda para derrotar dois pretensos usurpadores de seu trono. Em troca da mão da irmã de Basílio, Vladimir concordou em enviar seus guerreiros, onde finalmente adquiriram a função de guarda particular do imperador.

Proteção do Império Bizantino

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Logo que chegaram, a Guarda Varegue já teve um imenso impacto no Império Bizantino. Liderados por Basílio, os soldados nórdicos passaram a esmagar todos seus inimigos sem piedade. Segundo relatos, os vikings "alegremente cortavam seus rivais em pedaços". 

Mesmo após cumprir seu objetivo, o imperador bizantino decidiu mantê-los por perto. Os varangianos tornaram-se guarda-costas de Basílio, atuaram como policiais e carcereiros e acompanharam o imperador por toda a parte. Corpulentos e extremamente fortes, os vikings chamavam muita atenção por onde passavam.

Como gratidão, Basílio passou a favorecer muitos de seus soldados com riqueza e poder. Um exemplo disso foi Harald Hardrada, que serviu a guarda entre 1034 a 1043 e havia fugido da Noruega para Kiev após a tentativa fracassada de seu meio-irmão tomar o trono. Ele acumulou tanta riqueza como guerreiro que retornou à Noruega e se tornou rei.

Fim do exército

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Ser parte da Guarda Varegue — caso você sobrevivesse naquela profissão — parecia ser o caminho mais certeiro para chegar à riqueza. Entretanto, essa era uma carreira com dias contados. Apesar do esforço e dedicação dos vikings para defender Constantinopla, o poder do grupo começou a declinar ao fim do século XI.

Após a conquista normanda por parte da Inglaterra em 1066, guerreiros anglo-saxões exilados foram em massa para a capital do Império Bizantino. Com isso, a composição da guarda mudou drasticamente e os novos membros inexperientes já não pareciam ser tão ferozes assim.

Eles foram derrotados enquanto defendiam Dirráquio na Dalmácia em 1081, e não foram capazes de suprimir as forças da Quarta Cruzada em 1204. O número de soldados caiu consideravelmente e os nórdicos deixaram de ser maioria. Então, quando o Sultanato Otomano conquistou Constantinopla em 1453, o Império Bizantino foi encerrado e o grupo se tornou oficialmente obsoleto.

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