Descobriram múmia e uma porção de artefatos em tumbas “esquecidas” no Egito
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Descobriram múmia e uma porção de artefatos em tumbas “esquecidas” no Egito

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Se tem uma coisa difícil de encontrar no Egito são tumbas que, depois de serem descobertas, tenham sido esquecidas durante anos e deixadas estar, com seu conteúdo intocado. Pois esta semana o Ministério de Antiguidades do país anunciou a “redescoberta” de duas tumbas de 3,4 mil anos, mais ou menos, contendo inúmeros artefatos funerários misteriosos — e uma delas inclusive guardava uma múmia.

Fragmentos de sarcófagoCaixão encontrado no interior de uma das tumbas (National Geographic/Nariman El-Mofty)

As tumbas se encontram na necrópole de Dra’Abu el-Naga, que fica no Vale dos Reis, em Luxor, e foram descobertas nos anos 90 pela egiptóloga alemã Friederike Kampp-Seyfried. No entanto, apesar de a pesquisadora ter identificado, numerado e conduzido vários levantamentos nos locais, as câmaras mortuárias não chegaram a ser abertas e exploradas. Conhecidas como Kampp 150 e 161, a primeira foi escava só até a entrada e a segunda nem sequer isso.

Redescoberta

Segundo o anúncio do Ministério de Antiguidades do Egito, as tumbas foram “redescobertas” durante a última estação de explosões arqueológicas no país e finalmente abertas. Os exploradores concluíram que são da 18º dinastia, isto é, elas foram datadas entre os anos de 1549 e 1292 a.C., e provavelmente pertenceram a importantes oficiais do governo.

Identificação de tumbaIdentificação da tumba Kampp 150 (National Geographic/Nariman El-Mofty)

Dentro das câmaras mortuárias, os arqueólogos encontraram uma vasta quantidade de artefatos, entre eles diversas máscaras funerárias, pés de cadeiras, recipientes de argila, fragmentos de sarcófagos e cerca de 450 estátuas, incluindo inúmeras ushabti, figuras funerárias em forma de múmia.

Máscaras funeráriasMáscaras funerárias (National Geographic/Nariman El-Mofty)

Os arqueólogos também encontraram uma pequena caixa em formato de caixão e mais de uma centena de cones funerários — que são misteriosos cones de argila contendo hieróglifos e que normalmente eram colocados nas entradas das tumbas.

Máscara funeráriaOutra máscara funerária (National Geographic/Nariman El-Mofty)

Com relação aos ocupantes das tumbas, embora eles não tenham sido identificados ainda, os arqueólogos encontraram várias inscrições nas paredes e nos artefatos guardados nas câmaras que podem servir de pista sobre quando eles foram sepultados e quem eles poderiam ser.

Pistas

Com base nas pinturas e hieróglifos presentes no interior da Kampp 161, por exemplo, os arqueólogos concluíram que ela provavelmente é da época do final do reinado dos faraós Amenhotep II, e seu filho, Thutmose IV, que reinaram por volta do ano 1,4 mil a.C. Ainda sobre essa tumba, o Ministério de Antiguidades revelou que seu interior está decorado com várias imagens, incluindo uma cena de um homem oferecendo flores a sua esposa falecida.

Decoração de tumbaDecoração encontrada no interior de uma das tumbas (National Geographic/Nariman El-Mofty)

Já na Kampp 150, os arqueólogos encontraram uma inscrição indicando que ela pode ser da época do faraó Thutmose I, cujo reinado começou por volta do ano 1506 a.C., o que significa que essa tumba seria cerca de um século mais antiga do que a 161. Os exploradores também encontraram inscrições no interior da câmara indicando que ela pode ter pertencido a uma pessoa chamada Djehuty Mes — embora eles também tenham achado os nomes de um escriba chamado Maati e de sua esposa, Mehi, em cones funerários deixados na tumba.

Decoração da tumbaMais imagens gravadas nas paredes da câmara mortuária (National Geographic/Nariman El-Mofty)

Aliás, foi na Kampp 150 que a múmia — ainda envolta em linho — foi encontrada. Ainda no interior dessa tumba, os arqueólogos encontraram uma câmara separada contendo a sepultura de uma mulher chamada Isis Nefret, que eles suspeitam ser a mãe do “dono” da tumba. E falando na possível identidade dessa pessoa, considerando a quantidade de coisas descobertas em seu interior, os exploradores acreditam que se tratava de um importante oficial da corte do faraó.

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