Eles podem parecer testes nucleares, mas não são...

Eles podem parecer testes nucleares, mas não são...

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Explosões nucleares tendem a expelir uma grande quantidade de partículas radioativas. Assim, constantes testes nucleares por consequência aumentam o número dessas partículas, apresentando um quadro bastante nocivo para a humanidade e a natureza no geral. Por causa disso, em 1996 muitas nações do mundo assinaram o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (sob a sigla CTBT), com a intenção de barrar de vez esses testes nucleares.

Mas naturalmente era necessário fazer o máximo para que os países que haviam assinado o tratado de fato cumprissem sua palavra. Para isso, a CTBT adotou uma série de medidas de monitoramento global que teriam a função de detectar testes nucleares, espalhando pelo mundo inteiro sismômetros, detectores de infrassom, microfones submarinos e farejadores de radionuclídeos.

Os equipamentos são tão bons e sensíveis que, muitas vezes, detectam algo que emite um sinal que se parece muito com uma bomba nuclear, mas não é nada disso  e, felizmente, em alguns casos é possível usar até as “falhas” para algo bom. Venha conferir com a gente alguns exemplos!

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Meteoros

Como explosões nucleares criam ondas sonoras com uma frequência tão baixa que os seres humanos são incapazes de ouvir, existem 60 detectores de infrassom ao redor do mundo especialmente para detectar isso. Parece pouco, mas eles são bem potentes.

O problema é que esse silêncio todo não é exclusividade das bombas nucleares. Meteoros fazem a mesma coisa. Em 2013, um meteoro caiu na Rússia, e 20 estações detectaram a explosão (e continuaram detectando-a por 3 dias!).

Para descobrir se o que foi captado é uma bomba ou qualquer tipo de evento, o que os cientistas fazem é analisar, de forma minuciosa, todos os possíveis dados que aquele evento apresente.

Baleias

Os microfones subaquáticos têm a função de detectar explosões nucleares na água ou em locais próximos dela. Mas o que os cientistas notaram foi que o som gerado pelas baleias é bem semelhante ao captado pelo monitor em explosões nucleares, então eles decidiram tirar proveito dos dados que os equipamentos proporcionam para estudar as baleias, como sua população e os padrões de migração.

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Tsunamis

A CTBT também percebeu que seus equipamentos sísmicos e hidroacústicos eram capazes de detectar um tsunami antes de sua ocorrência, e é por isso que agora esse tipo de dado já é reconhecido e enviado diretamente aos centros de alerta de tsunamis.

Sim, é verdade que muita gente morreu nas últimas tragédias do tipo. Mas se não fosse a possibilidade da emissão de um alerta eficiente, ainda que minutos antes, diversas pessoas não teriam tido a chance de correr e se abrigar em lugares altos.

Acidentes em usinas nucleares

Os tais farejadores radionuclídeos procuram partículas radioativas que ficariam voando por aí depois de um teste nuclear. Esse mesmo tipo de elemento é liberado se uma usina nuclear sofrer um acidente, como aconteceu em Fukushima.

Esses dados possibilitaram não apenas avaliar se há potencial para um novo desastre do tipo, mas também fazer uma projeção de para onde as partículas iriam após o desastre em Fukushima e, assim, calcular o risco para as pessoas em outros países.

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Isótopos médicos

Esse é um caso bastante complicado. O Radioxenon é um gás nobre liberado em explosões de origem nuclear. O problema é que isótopos médicos, que são usados para tratamento de câncer (dentre muitas outras aplicações), também têm uma assinatura de Radioxenon.

Distinguir uma bomba de um grande fabricante de isótopos não é fácil, então agora as empresas estão criando formas de conter as emissões do gás. Uma delas, a NorthStar, desenvolveu um processo de fabricação que nem mesmo libera o gás.

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