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Por que será que pombos adoram as grandes cidades?

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Basta uma volta pelo centro da cidade para perceber a quantidade de pombos que vivem por ali. Parados em janelas, no chão procurando comida ou atingindo um pedestre desavisado com um projétil pastoso, os pássaros já fazem parte da paisagem urbana.

Muitas pessoas têm verdadeiro pavor dos animais, que chegam a ser chamados de “ratos com asas”. O que não percebemos são os motivos que levaram à existência deles em locais densamente habitados e o nosso papel nessa história.

Hoje, estima-se que 400 milhões de pombos vivam em grandes cidades — e eles com certeza não surgiram espontaneamente da fumaça do escapamento de carros. As aves que conhecemos têm origem nos selvagens pombos-da-rochas (Columbia livia), que costumavam viver em penhascos de costas litorâneas.

História aviária

Os primeiros registros de interação entre pombos e humanos apareceram há 10 mil anos, quando habitantes da Mesopotâmia e do Egito começaram a alimentar animais que viviam em áreas afastadas. O objetivo era fazer com que eles passassem a viver mais próximo de regiões habitadas, servindo como uma boa fonte de proteínas.

Com o tempo, pombos começaram a ser criados em cativeiro e novas espécies surgiram, dando origem aos animais que conhecemos hoje. Esse contato mais direto fez com que se percebesse a habilidade dessa espécie para navegação, tanto que antigos registros mostram o uso dos animais para guiar navios desorientados até a costa. Dentro das cidades eles eram usados como mensageiros, que levavam recados a longas distâncias de forma confiável.

Com o passar do tempo, a criação de pássaros começou a se tornar cada vez mais popular e, em vez de serem abatidos, os animais passaram a ser colecionados como um hobby. No século 16, os pombos chegaram aos EUA de navio, junto com os colonizadores. Os registros não são claros, mas especialistas acreditam que a maioria dos animais veio como mercadoria para criadores amadores, e não como comida.

Nossa culpa

Nem todos os pássaros oriundos da Europa se mantiveram em gaiolas; alguns fugiram ou foram soltos deliberadamente. Isso fez com que eles começassem a se reproduzir e viver nas grandes cidades, onde encontraram condições excelentes.

Elizabeth Carlen estuda a evolução de pombos urbanos na Universidade Fordham, em Nova York, e explicou um pouco melhor isso em entrevista ao Live Science: "os pombos são naturalmente moradores de penhascos, e os prédios altos fazem um excelente trabalho imitando essas formações naturais. Especialmente os revestimentos ornamentados, os peitoris de janelas e as unidades de ar-condicionado, que oferecem poleiros fantásticos para os animais".

Outro fator que fez toda a diferença para a proliferação de pombos em grandes cidades é a alimentação. Enquanto pássaros comuns precisam de frutas, insetos e sementes, eles ingerem todo tipo de restos que jogamos no lixo. Isso, aliado ao fato de que produzem o alimento de seus filhotes em uma glândula no pescoço, torna as grandes cidades um habitat perfeito para a espécie.

As adaptações que ocorreram ao longo do tempo, desde que começaram a se aproximar de redutos urbanos, transformaram a realidade dos pombos. Os problemas em relação à transmissão de doenças realmente existem, mas possuímos tecnologia para manter uma distância segura, enquanto essas aves vivem de forma controlada.

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