Pesquisa diz que isolamento social pode reduzir nosso tempo de vida

Pesquisa diz que isolamento social pode reduzir nosso tempo de vida

Último Vídeo

Num artigo publicado no mês de maio na revista científica Trends in Cognitive Science, dois pesquisadores, um canadense e um britânico, exploram, através da Neurobiologia e da Psicologia Experimental, as possíveis consequências negativas do isolamento social a que todos estamos expostos. E, o que é pior, em escala global.

Danilo Bzdok e Robin Dunbar, os autores, partem da premissa de que o ambiente social tem "um impacto dramático em nosso senso de satisfação vital e bem-estar". Dessa forma, em momentos aflitivos ou caóticos, a nossa resiliência irá depender da qualidade das nossas conexões sociais, seja em grupos familiares ou de amigos, como em comunidades.

Citando evidências provenientes de diferentes áreas do conhecimento, a pesquisa conclui que a solidão pode ser considerada a maior ameaça à sobrevivência humana e à própria longevidade. A conclusão é de que, em longo prazo, o isolamento social pode levar a uma vida útil mais curta.

A Neurobiologia do isolamento social

Fonte: McGill UniversityFonte: McGill University

Essas afirmações não ficam apenas no campo do bem-estar psicológio, mas aborda também a saúde física. Citando um estudo de 2019 da Organização Mundial da Saúde, que considerou a solidão com uma grande problema de saúde global, a pesquisa mostra alguns pontos sobre o seu impacto em nossas vidas:

  • para sobrevivermos durante o nosso ciclo vital, dependemos de relacionamentos interpessoais fortes, não quantitativamente, mas de qualidade;
  • o isolamento social é um preditor significante do risco de morte;
  • a falta de estimulação social tem um impacto negativo sobre várias funções vitais, como desempenho do raciocínio, memória, homeostase hormonal, funcionamento do sistema nervoso central, e resistência a doenças físicas e mentais;
  • como uma doença contagiosa, a solidão pode se espalhar em redes sociais, reforçando uma percepção negativa, contribuindo para mais morbidade e mortalidade e, no caso de pessoas idosas, antecipando o surgimento de demências, como a doença de Alzheimer.

Explorando a neurobiologia do isolamento social e suas consequências para nossa saúde física e para o nosso bem-estar, os dois cientistas afirmam que humanos são seres sociais e que o convívio é psicologicamente e fisicamente benéfico. Quanto mais fortes os laços de amizade, menor a chance de adoecermos, e maiores as taxas de sobrevivência.

Campanha para acabar com a solidão

Fonte: Campaign to End Loneliness/DivulgaçãoFonte: Campaign to End Loneliness/Divulgação

Bzdok, que é professor de engenharia biomédica na McGill University e da Mila - Quebec Artificial Intelligence, no Canadá, diz que "a interação social e a cooperação alimentaram a rápida ascensão da cultura e civilização humanas. No entanto, as espécies sociais lutam quando forçadas a viver isoladas". 

Dunbar, coautor da pesquisa e professor da Universidade de Oxford, destaca que a preocupação com o aumento de pessoas sozinhas fez com que o Reino Unido lançasse a "Campanha para acabar com a solidão", uma rede de organizações locais, regionais e nacionais que busca criar condições para que pessoas tenham menos solidão na etapa final de suas vidas.

isso mostra que, além do reconhecimento público, é preciso ter vontade política para enfrentar esse problema muitas vezes negligenciado, mas que representa hoje um crescente desafio social. Não é preciso nem dizer o quanto essas preocupações aumentaram quando esse isolamento teve que ser imposto devido à crise da covid-19.

Embora aceita e publicada, esta pesquisa está na forma pre-proof, o que significa que ainda não é a versão definitiva do seu registro. Porém, pela sua relevância e pelo seu impacto na análise de um fenômeno atual, está sendo divulgada porque sua visibilidade pode ser útil a muitas pessoas e também permitir algumas correções e alterações.

O isolamento social, neste momento da pandemia em nosso país, é necessário e representa a única forma de defesa contra a disseminação do novo coronavírus.

Você sabia que o Megacurioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.