Espermatozoides 'nadam' de maneira diferente do que pensávamos

Espermatozoides 'nadam' de maneira diferente do que pensávamos

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Em artigo publicado na última sexta-feira (04) na revista Science Advances, um estudo internacional está propondo uma visão dita revolucionária sobre a movimentação do espermatozoide, visto que há 300 anos a célula foi identificada por Antonie van Leeuwenhoek através dos primeiros microscópios ópticos e caracterizada por apresentar um comportamento de "cauda que, ao nadar, chicoteia com um movimento de cobra, como enguias na água". Segundo cientistas, todo o conhecimento antigo seria apenas uma ilusão de ótica.

Através de técnicas de tecnologia tridimensional e com a ajuda de conceitos avançados de matemática, que permitiram a gravação de cerca de 55 mil quadros por segundo, o cientista brasileiro Hermes Gadelha, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, uniu-se a pesquisadores da da Universidade Nacional Autônoma do México para reconstruir a dinâmica de movimentação do espermatozoide.

"Essa descoberta vai revolucionar nossa compreensão da motilidade espermática e seu impacto na fertilização natural. Tão pouco se sabe sobre o ambiente intrincado no trato reprodutivo feminino e como a natação de espermatozoides afeta a fertilização," comentou o Dr. Alberto Darszon, da universidade mexicana. "Essas novas ferramentas abrem nossos olhos para as incríveis capacidades que os espermatozoides têm."

O plano bidimensional enganoso

Desde 1677, quando o primeiro espermatozoide foi visualizado completamente através de um microscópico óptico de alta resolução, acreditava-se que seu nado era impulsionado por um "golpe" de cauda que o empurrava para diversas direções em um direcionamento circular. Porém, a limitação dos recursos e técnicas a um plano 2D acabaram restringindo bastante a compreensão do funcionamento de tal dinâmica, que não conseguia justificar claramente o motivo da célula não ficar girando em círculos.

Assim, com recursos avançados de câmera e com a simulação de uma piscina artificial onde o espermatozoide pudesse flutuar livremente, os cientistas finalmente conseguiram reproduzir como ocorre, de fato, o nado, revelando uma adaptação incrível e engenhosa, executado pelas células.

"A cabeça do espermatozoide gira ao mesmo tempo em que sua cauda gira em torno da direção da natação. Isso é conhecido na física como precessão, assim como o que acontece com as órbitas da Terra e Marte ao redor do Sol", explica o Dr. Gadelha, afirmando que a cauda e a cabeça se equilibram constantemente em movimentos periódicos.

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