Cientistas afirmam que listras das zebras afastam moscas picadoras

Em um estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society, pesquisadores da Universidade de Bristol trataram uma questão que tem intrigado cientistas há mais de 1 século: por que as zebras têm listras?

Entre diversas explicações que incluem controle de temperatura, camuflagem contra predadores e interações sociais, a nova pesquisa concluiu que as listras existem como uma forma de prevenção às moscas picadoras. Para os pesquisadores, isso acontece porque interferem nos padrões de fluxo óptico necessário ao pouso dos insetos.

Pesquisas anteriores

Fonte: Tim Caro/Reprodução(Fonte: Tim Caro/Reprodução)

Em estudos anteriores, pesquisadores da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Bristol descobriram que mutucas sugadoras de sangue, uma praga comum para as zebras, aproximavam-se tanto de cavalos totalmente lisos como de indivíduos com uma cobertura listrada, porém não pousavam no animal listrado.

Imaginando que esse comportamento se devia a alguma espécie de ilusão de ótica, os cientistas o atribuíram ao chamado "efeito de abertura", que pode ser exemplificado quando as listras de um polo de barbearia giram e parecem se mover para cima em vez de ao redor de seu eixo.

A hipótese era de que o efeito de abertura faria a superfície da pele dos animais parecer mais distante do que realmente é. Dessa forma, as moscas seriam incapazes de realizar seus cálculos de pouso e diminuiriam a velocidade ou jamais pousariam.

Testando as teorias

Fonte: Pixabay(Fonte: Pixabay)

Para testar as teorias, os estudiosos usaram coberturas de diversos padrões em cavalos, mas os resultados revelaram que o efeito de abertura não era capaz de explicar o fenômeno de forma satisfatória. Isso porque, além de evitar os cavalos vestidos com aparência de zebra, as moscas não foram capazes de pousar em estampa xadrez. A hipótese não pôde ser comprovada, uma vez que outros padrões também se revelaram eficientes para espantar as mutucas.

Não se dando por vencido, o autor e líder do estudo, professor Tim Caro, chamou a pesquisa de empolgante por ajudar a compreender "uma das espécies mais icônicas e fotogênicas do mundo, mas também de grande interesse para agricultores que tentam reduzir os danos causados pela mosca mutuca Tabanidae".

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