Cientista usa próprio braço para alimentar milhares de mosquitos

Cientista usa próprio braço para alimentar milhares de mosquitos

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O entomologista Dr. Perran Stott-Ross, da Universidade de Melbourne, na Austrália, emprestou seu braço para que milhares de mosquitos pudessem se alimentar, a fim de se manterem saudáveis para futuras baterias de testes laboratoriais. 

O sacrifício do especialista é parte de um processo científico para realizar pesquisas sobre a contenção do vírus da dengue, e a estratégia vem se provando bastante promissora.

Desde 2011, cientistas australianos vêm liberando na natureza enxames de mosquitos que hospedam a bactéria Wolbachia, responsável por inibir a proliferação do vírus da dengue através de um bloqueio natural. 

Como resultado, nos últimos anos as taxas de contaminação da população vem caindo substancialmente, como no caso do extremo norte de Queensland e outras regiões. “O extremo norte de Queensland é agora essencialmente uma área livre de dengue pela primeira vez em mais de 100 anos”, disse o médico Richard Gair, diretor de Serviços de Saúde Pública Tropical, em Cairns.

(Fonte: Perran Ross/Twitter)
(Fonte: Perran Ross/Twitter)

Porém, para permitir a criação de enormes grupos de mosquitos que possam ser enviados com a difícil missão de transmitir a bactéria entre gerações, Stott-Ross deve manter os insetos saudáveis e bem alimentados. Coube, então, para seu braço ser a dieta necessária para que os sugadores de sangue continuem a ser testados.

“Às vezes pode doer um pouco se eles te picam no lugar certo, mas principalmente é apenas uma leve irritação. Definitivamente a coceira vem depois. Assim que tiro meu braço, tenho que resistir à vontade de coçar”, disse Ross em entrevista.

O especialista em insetos postou em suas redes sociais diversas etapas dos processos de alimentação dos mosquitos, e as imagens chocam ao mostrar seu braço ocupado por milhares de fêmeas prestes a receber a bactéria em seus organismos. 

Em certo momento, o cientista chegou a ser picado por 5 mil insetos, algo inimaginável para quem não consegue lidar com um sequer incomodando e voando por perto.

A bactéria Wolbachia

Transmitida entre gerações de mosquito, a bactéria Wolbachia já se mostrou eficaz no combate ao vírus da dengue e não afeta o organismo humano de forma prejudicial. Diferentemente do Aedes aegypti, o micro-organismo não surge naturalmente no ambiente natural e deve ser criado em laboratórios para que haja a contaminação em massa de espécies de insetos.

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