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Microdispositivo libera medicamento no intestino gradualmente

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, criaram um dispositivo minúsculo capaz de entregar medicamentos de liberação prolongada no intestino, de maneira bastante eficiente. A novidade foi apresentada em um artigo publicado na revista Science Advances, no último dia 28 de outubro.

Chamado “Theragripper”, o microdispositivo tem formato de estrela e possui a capacidade de se prender à mucosa intestinal, possibilitando a liberação gradual de remédios no organismo. Ele foi inspirado em um verme parasita conhecido por cravar seus dentes no intestino do hospedeiro, tendo tal comportamento reproduzido pelos cientistas.

Feito de metal e um filme fino que muda de forma, o theragripper possui o tamanho aproximado de uma partícula de poeira e pode transportar qualquer tipo de medicamento. A liberação da droga carregada por ele acontece quando o revestimento com cera de parafina, presente em suas garras, atinge a temperatura ideal dentro do corpo.

Theragripper aberto e fechado. (Fonte: Universidade Johns Hopkins/Divulgação)
Theragripper aberto e fechado. (Fonte: Universidade Johns Hopkins/Divulgação)

Acionado pelo calor corporal, o dispositivo se fecha e se fixa na parede do cólon, liberando a carga de remédio de maneira prolongada, o que pode ser bastante eficiente para diferentes tipos de tratamentos médicos. Eventualmente, ele pode se desprender da mucosa, sendo eliminado pela função muscular gastrointestinal normal.

A importância da liberação gradual de medicamentos

Descobrir métodos para liberar um remédio de forma gradual ou prolongada no intestino é algo que a medicina procura há tempos, pois as drogas costumam ser eliminadas antes de serem completamente utilizadas.

“A constrição normal e o relaxamento dos músculos do trato gastrointestinal tornam impossível que os medicamentos de liberação prolongada fiquem no intestino por tempo suficiente para que o paciente receba a dose completa”, explicou o gastroenterologista e diretor do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Universidade Johns Hopkins Florin M. Selaru, um dos líderes da pesquisa.

Neste cotonete, há dezenas de theragrippers. (Fonte: Universidade Johns Hopkins/Divulgação)
Neste cotonete, há dezenas de theragrippers. (Fonte: Universidade Johns Hopkins/Divulgação)

No estudo, que também teve a liderança do professor da Escola de Engenharia da instituição David Gracias, os theragrippers foram testados em animais, carregando uma carga de analgésico nas garras. Aqueles tratados com os microdispositivos apresentaram maiores concentrações da droga, em comparação com o grupo de controle.

De acordo com os pesquisadores, a medicação permaneceu no organismo deles por 12 horas, enquanto nos demais ela durou apenas duas horas.

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