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Cientistas descobrem planta capaz de se camuflar de humanos

O impacto do ser-humano sobre a natureza tem sido tão grande que até mesmo plantas desenvolveram a habilidade de se camuflar para fugir de nossas mãos. Ao menos é isso que aponta um novo estudo chinês a respeito da espécie Fritillaria delavayi, que por mais de 2 mil anos serviu de matéria-prima para o desenvolvimento de medicamentos no leste asiático.

Segundo o estudo, a planta que produz uma flor verde a cada cinco anos começou a amadurecer com cores mais sutis e pálidas na última década. Os pesquisadores acreditam que a perda do seu “brilho” pode ser parte do seu mecanismo de defesa para escapar da exploração humana.

Camuflagem em plantas

(Fonte: Yang Niu)
(Fonte: Yang Niu)

Em declaração oficial, o co-autor do estudo Yang Niu disse que os cientistas levaram em consideração a existência de animais herbívoros nas proximidades de onde a planta costuma nascer. Em outros casos de Fritillarias com capacidade de camuflagem, esse é um das principais condições que levam a evolução da espécie.

Porém, nenhuma criatura do tipo foi encontrada na região, levando os pesquisadores a acreditarem que o homem talvez seja a principal ameaça para essa erva em específico. As Fritillaria delavayi são características da região montanhosa de Hengduan, que divide território entre a China e o Nepal.

Conforme as crenças da cultura local, o seu bulbo possui propriedades adequadas para o tratamento de tosses e outras doenças respiratórias. De acordo com o estudo, quanto mais jovens são as populações dessas plantas, maiores as chances de terem desenvolvido uma coloração marrom-acinzentada para se camuflar com a área rochosa onde nascem.

Áreas de exploração

(Fonte: Yang Niu)
(Fonte: Yang Niu)

Após entrevistarem os moradores de Hengduan, os pesquisadores chineses puderam determinar quais eram as áreas de maior exploração da Fritillaria delavayi e comparar a compatibilidade dessas regiões com os locais onde a planta apresentava uma coloração menos esverdeada.

De acordo com o experimento, os espaços de maior colheita eram justamente onde a espécie apresentava uma aparência escurecida, sugerindo uma correlação entre sua coloração e a interferência humana no meio ambiente. 

Para Martin Stevens, co-autor do documento, tudo indica que a humanidade tem causado o desenvolvimento de estratégias defensivas em diversas espécies de plantas e, surpreendentemente, ainda existem poucas pesquisas que abordem esse assunto urgente. 

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