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Estudo confirma Darwin: insetos desistem de voar por causa do vento

Uma pesquisa publicada na última quarta-feira (9) na revista científica Proceedings of The Royal Society B conseguiu comprovar uma das hipóteses mais controversas de Charles Darwin: a de que animais voadores renunciavam à capacidade de voar quando habitam ilhas, devido ao risco de serem lançados no mar pelo vento.

O diretor do Royal Botanical Gardens, Joseph Hooker, considerado o melhor amigo de Darwin e um dos primeiros defensores da evolução das espécies, rejeitava essa explicação, argumentando que também os continentes possuem insetos que não voam. A partir da polêmica, muitos biólogos passaram a se alinhar com as teorias de Hooker.

Observando que as ilhas do Oceano Antártico (SOI’s) são locais submetidos a fortes ventos durante o ano inteiro, a estudante de doutorado da Monash University, Rachel Leihy, elegeu o local como a paisagem perfeita para testar a controvérsia Darwin-Hooker. As ilhas são tão pequenas que os fortes ventos existentes nos oceanos austrais, chamados Roaring Forties (Quarenta Rangentes), não encontram nenhum obstáculo no relevo.

Fonte: Wikipedia/Reprodução
Fonte: Wikipedia/Reprodução

Metodologia

Os pesquisadores cruzaram inventários faunísticos abrangentes, informações morfológicas das espécies e variáveis ambientais de 28 SOI’s. O que se observou foi que a ausência de voo é excepcionalmente prevalente nas espécies de insetos insulares nativas (47%), percentual muito superior às espécies das ilhas árticas (8%), às introduzidas nas SOI’s (17%) e aos valores globais (5%).

Na pesquisa, Leihy relata que metade das espécies de insetos das ilhas pesquisadas não voa. “É extraordinário”, diz ela, encontrar “mariposas lá rastejando com asas pequenas demais para voar”. Além disso, a ausência de voo é mais comum nas ilhas onde a velocidade do vento é mais alta.

Fonte: Rachel Leihy/Divugação
Ilha Macquarie, entre a Tasmânia e a Antártica, uma das SOI’s onde a pesquisa foi realizada devido á força do vento (Fonte: Rachel Leihy/Divugação)

Quando Darwin apresentou sua teoria abrangente da evolução no século XIX, foi muito contestado, até que, gradualmente, suas teses foram se provando convincentes, embora outras tenham permanecido controversas. A conclusão desta pesquisa é um dos casos em que, após 161 anos do lançamento de “A Origem das Espécies”, a ciência autentica uma das teorias darwinistas.

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