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Células cerebrais podem ajudar a entender a depressão

Estudo divulgado por cientistas no jornal Frontiers in Psychiatry relatou que pessoas com depressão têm uma característica diferente em seus cérebros: menor quantidade de astrócitos, um tipo de célula cerebral em forma de estrela.

Comparando cérebros de pessoas depressivas com os de pessoas sem a doença, o número dessas células se apresenta muito diferente. Isso fez os cientistas concluírem que os astrócitos são extremamente afetados na depressão.

“Já se sabia antes que isso acontecia, mas mostramos aqui que acontece em todo o cérebro, e não em uma região específica. Nos fazendo pensar que essa quantidade menor de astrócitos é uma parte muito maior da depressão, que pode ser passível de novas estratégias de tratamento”, disse o co-autor do estudo Liam O’Leary, doutorando no Departamento de Psiquiatria da Universidade McGill em Montreal.

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay/Reprodução)

Essas células fornecem energia aos neurônios e suportam a neurotransmissão, ou a retransmissão de sinais cerebrais, embora não enviem sinais elétricos. Eles pertencem a um grupo de “células auxiliares” no cérebro conhecidas como gliais. Os cientistas costumavam pensar que as células da glia apenas forneciam suporte estrutural aos neurônios como um suporte físico, mas agora perceberam que a glia tem papéis ‘ativos’ na função cerebral.

 “A maioria dos estudos sobre depressão olha apenas para uma região do cérebro com um marcador. Mas no novo estudo, investigamos várias regiões do cérebro com vários marcadores e descobrimos que a maioria deles tinha essa mesma diminuição no número de astrócitos”, completou.

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay/Reprodução)

Os primeiros estudos de cérebros pós-morte de pessoas com depressão descobriram que algumas regiões tinham menos células gliais, embora não se saiba que tipo de célula glial foi afetada. Estudos posteriores descobriram que em várias regiões do cérebro – como a amígdala, o hipocampo e o córtex pré-frontal – as pessoas com depressão têm uma densidade menor de astrócitos que produzem uma proteína chamada GFAP, que pode servir como um marcador astrocitário.

Segundo O’Leary, uma redução nos astrócitos nas regiões do cérebro estudadas pode ter efeitos negativos, já que esses locais formam um circuito considerado importante para a tomada de decisões e regulação emocional, funções afetadas pela depressão. Com menos astrócitos para sustentá-los, os neurônios neste circuito podem não funcionar tão bem como fariam de outra forma.

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