Escultura de madeira é 2 vezes mais velha que as pirâmides do Egito

31/03/2021 às 13:002 min de leitura

O Ídolo de Shigir é a escultura de madeira mais antiga do mundo. Encontrado em um pântano por mineradores na Rússia, em 1980, o artefato intriga cientistas. Agora, um novo estudo publicado no Quaternary International indica que a escultura é ainda mais antiga do que pensávamos, tornando-se duas vezes mais velha que as pirâmides egípcias ou o Stonehenge.

Um totem de quase três metros de altura composto por 10 fragmentos de madeira esculpidos com faces, olhos e membros, e decorados com entalhes geométricos.
Mais de um século após ser encontrado, os arqueólogos continuam a descobrir surpresas sobre o Ídolo de Shigir. 

Ídolo de Shigir. (Sverdlovsk Regional Museum/Reprodução)Ídolo de Shigir. (Sverdlovsk Regional Museum/Reprodução)

Thomas Terberger, um pesquisador de pré-história da Universidade de Göttingen, na Alemanha, junto de sua equipe, escreveu no jornal Quaternary International em janeiro que uma nova pesquisa sugere que a escultura é 900 anos mais velha do que se pensava.

“O Ídolo de Shigir foi esculpido durante uma era de grandes mudanças climáticas, quando as primeiras florestas se espalharam por uma Eurásia mais quente, pós-glacial”, disse Thomas Terberger, ao New York Times.  "A paisagem mudou e a arte acompanhou esse processo — desenhos figurativos e animais naturalistas pintados em cavernas e esculpidos na rocha — talvez como uma forma de ajudar as pessoas a enfrentar os ambientes desafiadores que encontraram", continuou. 

Em 2018, os cientistas, incluindo Terberger e sua equipe, usaram a tecnologia de espectrometria de massa para argumentar que o objeto de madeira tinha cerca de 11.600 anos.

Sarah Cascone, escritora da revista Artnet News, afirma que com as novas descobertas, é possível afirmar que o artefato é cerca de 7 mil anos mais antiga que Stonehenge, que foi criado há cerca de 5 mil anos. Também é duas vezes mais velha que as pirâmides egípcias, que datam de cerca de 4.500 anos atrás.

Terbenger e sua equipe dizem que a obra foi esculpida em uma única árvore de larício, com cerca 159 anéis de crescimento  — os anéis permitem identificar oscilações climáticas do planeta.

Descoberta traz novas perspectivas para pesquisadores

Para Sarah Cascone, a complexa iconografia do Ídolo desafia o que os arqueólogos acreditavam sobre as sociedades de caçadores-coletores — primeiros grupos humanos que viviam da caça, da pesca e da coleta de grãos, frutos e raízes — na Europa e na Ásia. 

Até o presente momento, a produção artística dessa época era considerada limitada a imagens de animais e cenas de caça e não a objetos com significado ritual. Mas é bem possível que a maior parte dessas artes móveis paleolíticas simplesmente não tenha sobrevivido por causa dos materiais usados para fazê-la, disse a escritora.

"Em regiões com grandes florestas, a madeira estaria prontamente disponível para os artistas do paleolítico, mas rapidamente se deteriorou com o passar dos séculos. Isso significa que nossa compreensão desses povos antigos é moldada por preconceitos de preservação e poderia ter sido muito diferente se mais artefatos de madeira como o Ídolo de Shigir tivessem sobrevivido", escreveu ao Artnet News.

Para o New York Times, o debate deve gerar implicações importantes para o estudo da pré-história, que tende a enfatizar uma visão centrada no Ocidente do desenvolvimento humano.

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