Reator nuclear fecha após 'águas-vivas' entupirem válvulas

A Usina Nuclear de Hanul, na Coreia do Sul, teve que desligar seus dois reatores após uma série de incidentes durante a última semana. De acordo com o material produzido pela Bloomberg, ambos os reatores apresentaram danos nos últimos dias após um conjunto de "organismos semelhantes às águas-vivas" entupirem as válvulas de resfriamento da planta nuclear.

Os pesquisadores atribuíram a origem do problema a um grupo de salpas, criaturas de corpo gelatinoso que se movem bombeando água pelo corpo. Em um intervalo de três semanas, as criaturas tomaram conta de todo o espaço das válvulas de resfriamento e paralisaram todas as operações da Empresa de Energia Hidrelétrica e Nuclear da Coreia do Sul em duas ocasiões diferentes.

Entupimento das válvulas

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Apesar de menos conhecidas do que suas parentes próximas, as salpas são criaturas marítimas com a habilidade de se agrupar em correntes de metros de comprimento e geralmente podem ser encontradas no oceano em maiores números por volta de junho.

Entretanto, as salpas aparecem em números ainda maiores na presença de correntes de água quente, que surgem com mais frequência devido às alterações climáticas vividas pelo planeta. Em entrevista para a Bloomberg, o cientista do Instituto Nacional de Ciências Pesqueiras Youn Seok-hyun disse que os fatores que levaram à invasão da Usina Nuclear por esses bichos ainda é desconhecido.

"Ainda não podemos dizer se o aumento das salpas é devido à mudança climática ou outros fatores, mas é algo que deve ser considerado como um fenômeno temporário, a menos que vejamos um aumento contínuo na próxima década", destacou.

Aquecimento global

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Mesmo sem a conclusão de que o incidente esteja diretamente ligado às mudanças climáticas, estudos antigos já haviam sugerido que as salpas se espalharam significativamente pelo mundo como resultado do aquecimento global e a tendência é que esse fenômeno continue para os próximos anos.

Sendo assim, a possibilidade de outras paralisações das atividades nucleares devido a entupimentos causados por organismos marítimos voltar a se repetir em um futuro próximo é uma realidade que engenheiros e as empresas de energia terão que aprender a lidar.

Vale lembrar que, em janeiro de 2021, uma usina nuclear na França teve que desligar quatro de seus reatores porque peixes ficaram presos nos filtros de bombeamento de água da estação. Em resultado do surgimento de oceanos mais quentes, a vida marinha está começando a se espalhar de maneiras muitas vezes imprevisíveis, o que pode gerar riscos às infraestruturas criadas pelos seres humanos.

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