Labirinto neolítico é descoberto por arqueólogos na Dinamarca

Em fevereiro de 2017, um grupo de arqueólogos do Museu do Sudeste da Dinamarca encontrou uma enorme construção de quase 18 mil metros quadrados que data do período Neolítico e parece ter sido um labirinto.

“Foi impressionante descobrir que ainda é possível encontrar os vestígios de uma construção tão grande do período Neolítico. Existem muitas sugestões para o que ela pode ter sido usada, mas simplesmente não temos total certeza ainda”, revelou o arqueólogo Pernille Rohde Sloth, líder das escavações, em entrevista à Seeker.

Localizado a cerca de 64 quilômetros de Copenhague, perto do município de Stvns, a área tem resquícios de uma paliçada em formato oval: uma espécie de cerca com estacas apontadas e fincadas na terra.

O enigma da cerca

(Fonte: Ancient Origins/Reprodução)(Fonte: Ancient Origins/Reprodução)

No que o possível labirinto intrigou os estudiosos foi a maneira como as entradas dele foram construídas: em 5 fileiras que se estendem para fora do cercado maior, e com aberturas em cada fileira que parecem estar deslocadas das demais.

“As aberturas não parecem ficar ao lado de cada uma das filas de postes, e estamos um pouco surpresos com isso”, comentou Sloth, que acredita que elas foram feitas de propósito. “Por isso acredito que funcionasse como uma espécie de labirinto. Dessa forma, você não conseguiria olhar para dentro do espaço, o que poderia ser uma vantagem”.

(Fonte: Science Nordic/Reprodução)(Fonte: Science Nordic/Reprodução)

Durante a pré-História, as paliçadas eram construídas como fortificações para proteger os aldeões de tribos saqueadoras, porém os arqueólogos não acreditam que a cerca naquela região tenha sido erguida com o propósito de escudo. “As fileiras de postes deveriam ter cerca de 2 metros de altura, além de que não parece que eram muito próximas umas das outras, então você poderia facilmente passar por elas”, concluiu Sloth.

Eles ainda não foram capazes de descobrir para qual finalidade elas foram erguidas, mas Mette Madsen, arqueóloga e curadora do Museu do Sudeste da Dinamarca, sugere que, além de um labirinto, o local possa ter sido usado para realizar rituais – uma prática muito comum naquela época.

(Fonte: Science Nordic/Reprodução)(Fonte: Science Nordic/Reprodução)

O palpite de Madsen também vem do fato de já ter sido encontrado, em 1988, uma grande paliçada na ilha dinamarquesa de Bornholm, no Mar Báltico. No meio do espaço, eles escavaram os escombros de uma espécie de templo solar, devido à quantidade de símbolos solares que encontraram espalhados pelo local. Alguns arqueólogos tendem a acreditar que esses templos existam apenas em Bornholm, mas Finn Ole Sonne Nielsen, o arqueólogo-chefe do Museu de Bornholm, não descarta a possibilidade de que a área em Stvns também possa ter alguma relação.

(Fonte: Science Nordic/Reprodução)(Fonte: Science Nordic/Reprodução)

Apesar da falta de repostas para essa questão, durante as escavações a equipe encontrou poços de mais de 4 mil anos dentro da área e com vários artefatos, como sílex, fragmentos de cerâmica e pedaços de machados. Os objetos são típicos da cultura Funnelbeaker, que ficou conhecida como sendo os primeiros fazendeiros da Escandinávia e das planícies do norte da Europa.

Naquela época, os arqueólogos estavam com dificuldade para escavar toda a área, visto que o trabalho estava acontecendo paralelamente à construção de um novo pavilhão desportivo, e eles estavam tomando cuidado para não deixar passar nenhum pedaço de terra inexplorado.

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