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Desde o nascimento: como criar uma criança para ser inteligente?

Sabemos que os primeiros anos do ciclo vital humano são os mais importantes para o desenvolvimento e formação da circuitaria neuronal — e todos nós nascemos em condições similares. Contudo, a forma como os pais estimulam a cognição nesse início de vida pode fazer toda a diferença. A teoria que cada criança nasce com as suas capacidades estabelecidas já foi rebatida e, hoje, sabe-se que os pais são fundamentais para criar as bases do seu desenvolvimento emocional e intelectual, assim como as circunstâncias e as experiências disponibilizadas começando na gestação.

As crianças  vão além da hereditariedade, produto da formação e informação que lhes é ofertada pelo código genético. É por esta razão que, enquanto especialista, refiro sempre a importância de compreender que a inteligência não deve ser vista como algo fixo, mas sim como algo ativo que tem sempre potencial para melhorar, ou seja, a inteligência é uma habilidade mental. Além da preocupação com o desenvolvimento intelectual, há que se ter em conta a evolução emocional da criança para que ela seja um adulto autorresponsável em sua própria existência.

A importância de socializar

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É importante trilhar um caminho seguro para as crianças e desde cedo dotá-las de capacidades de socialização. Este aspecto é fundamental e, por essa razão, deve começar em estágios iniciais da sua vida. Ensinar a enfrentar sua frustrações, desafios e problemas diários. Estimular a escuta, utilizando o diálogo como ferramenta de resolução  de conflitos, mesmo com crianças de tenra idade, será uma boa plataforma para ser um adulto de sucesso no futuro.

Assim como estabelecer e ensinar quando devem partilhar os seus pertences e informação, começando desde cedo a construir segurança sobre as suas escolhas e responsabilidade sobre as consequências delas.

Elogiar na medida certa

É, portanto, basilar que os pais lhes concedam as coordenadas, mas os deixem trilhar o caminho. Ser superprotetor pode retirar habilidades dos pequeno, que contarão sempre com a resolução por parte dos mais velhos, tornando-se dependentes e inseguros. Contudo, é importante que na medida certa os filhos compreendam que existem algumas expectativas depositadas neles.

Crianças serão mais realizadas se souberem que têm algo a conquistar. No entanto, as expectativas não devem concentrar-se na sua inteligência, nem no reforço positivo constante das suas capacidades, uma vez que esse comportamento pode, de fato, levar a um desempenho inferior ao esperado. Normalizar elogios retira a importância das conquistas.

Foco no que importa

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Como estratégia parental alternativa, os pais são encorajados a oferecer elogios que se concentrem no esforço que as crianças gastam para ultrapassar problemas e desafios, demonstrando coragem, persistência e determinação. Temos, portanto, uma educação centrada na perseverança, resistência e capacidade de suplantar os problemas e não tanto nas capacidades inatas demonstradas pela criança. Muitos especialistas em desenvolvimento infantil concentram-se agora menos em medir o QI de uma criança e mais em ajuda-las  a atingir o seu pleno potencial intelectual — mas sem acrescentar demasiada pressão.

Um adulto é apenas uma criança que cresceu.  Se esta criança receber o fomento adequado para o desenvolvimento de forma integral, cognitiva e emocionalmente, certamente será um adulto com autonomia, independência e competência para se apropriar de sua existência.

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Fabiano de Abreu Rodrigues, colunista do Mega Curioso, é Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University; Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio, Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal; Três Pós-Graduações em neurociência; cognitiva, infantil, inteligência artificial, Pós-Graduação em Psicologia Existencial e Antropologia, todas pela Faveni do Brasil; Especialização em Propriedade Elétrica dos Neurônios em Harvard, Neurociência Geral em Harvard; Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal; Idealismo Filosófico e Visões do Mundo – Universidade Autônoma de Madrid, Introdução à Filosofia da Passagens Escola de Filosofia, História de La Ética pela Universidad Carlos III de Madrid, MBA em Psicologia Positiva – Autorrealização, Propósito e Sentido de Vida – PUC RS.

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