Por que as Cataratas de Vitória, as mais altas do mundo, secaram em 2019?

As Cataratas de Vitória, que ficam na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue, na região sul do continente africano, podem ter o futuro ameaçado por conta das mudanças climáticas. Os primeiros sinais de perigo já surgiram em 2019, quando elas quase secaram por completo, deixando as autoridades em alerta.

Formada pelas águas do rio Zambeze, que caem em direção a um precipício conhecido como “Primeiro Desfiladeiro”, ela tem cerca de 1,7 km de largura e em torno de 128 m de altura máxima, chamando a atenção pelo gigantesco volume de água. Mas em dezembro de 2019, a maior parte da famosa catarata desapareceu temporariamente, dando lugar a um imenso e seco abismo.

Conforme a imprensa local, a seca das Cataratas de Vitória já ocorreu em outras ocasiões, mas nunca houve uma tão marcante quanto esta, causando problemas à economia, pois a queda d’água é uma importante fonte de renda para Zimbábue e Zâmbia. Os poucos filetes de água restantes não atraiam os turistas, causando a diminuição do movimento no comércio.

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Os efeitos também foram sentidos na produção de energia, atrapalhando o funcionamento de hidrelétricas, e na colheita, igualmente prejudicada pela seca, gerando a necessidade de auxílio alimentar para os moradores locais. O fluxo hídrico começou a normalizar cerca de três meses depois, em 2020, mas as preocupações continuam até hoje.

Mudança no ciclo das chuvas

Chamadas de “Mosi-o-Tunya”, que em tradução livre significa “fumaça que troveja”, as cataratas africanas estão sendo afetadas por mudanças no clima que levam a um atraso na temporada de monções, segundo a BBC. Com isso, as chuvas têm se concentrado em eventos mais intensos.

Observadores de padrões climáticos ouvidos pela publicação comentaram que estes eventos extremos dificultam o armazenamento da água, afetando o fluxo do rio Zambeze, responsável por abastecer as Cataratas de Vitória. Além disso, eles contribuem para o aumento da temporada de seca, trazendo sérias consequências para o meio ambiente e a população.

(Fonte: O Globo/Reprodução)(Fonte: O Globo/Reprodução)

Em 2019, a Zâmbia passou pela maior seca dos últimos 100 anos. E o ressecamento das cataratas foi apontado pelo presidente do país Edgar Lungu como uma espécie de “duro lembrete” do que as mudanças climáticas podem causar, ressaltando a necessidade de contê-las.

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