País europeu gasta US$ 1 bilhão em rodovia que não leva a lugar nenhum

Pontes e rodovias são obras de engenharia complexas, que costumam demandar muito dinheiro dos cofres públicos. Uma rodovia de 41 quilômetros em Montenegro — uma pequena república no sudoeste da Europa, que era parte da antiga Iugoslávia — custou cerca de US$ 1 bilhão, por exemplo. 

O problema é que ela liga nada a lugar nenhum. E a economia do país pode quebrar por causa dos empréstimos que o governou contraiu para construí-la. Como Montenegro foi capaz dessa proeza é algo que a gente tenta explicar nos próximos parágrafos.

Imagem: Savo Prelevic/AFP (via G1)Imagem: Savo Prelevic/AFP (via G1)

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Um pequeno erro de cálculo

A verdade é que a rodovia tem um propósito: ligar a região turística de Bar, na costa do Mar Adriático, à fronteira de Montenegro com a Sérvia, passando por Podgorica, capital do país. O governo, então, começou pelo trecho de 41 quilômetros que é a razão dessa matéria: por enquanto, a obra bilionária está ligando um subúrbio de Podgorica à vila de Matesevo — onde moram cerca de 100 pessoas. 

Ou seja, a rodovia não tem muita utilidade, do jeito que está.

O maior problema, contudo, é que o governo pegou um empréstimo de quase US$ 1 bi (944 milhões, exatamente) com um banco chinês para realizar a obra e, agora, pode ir à falência. Essa quantia equivale a 15% do PIB (Produto Interno Bruto) e a um quinto de toda a dívida externa de Montenegro. O país tem apenas 600 mil habitantes (o mesmo que Cuiabá, por exemplo) e sua economia depende bastante do turismo, amplamente prejudicado com a pandemia de COVID-19. 

O trecho da rodovia que já está pronto, em vermelho, vai do nada a lugar nenhum — e custou US$ 1 bilhão (Imagem: Wikimedia Commons)O trecho da rodovia que já está pronto, em vermelho, vai do nada a lugar nenhum — e custou US$ 1 bilhão (Imagem: Wikimedia Commons)

Para terminar os outros dois trechos que faltam — de Bar a Podgorica e de Matesevo à fronteira com a Sérvia — seria necessário mais 1,2 bilhão de dólares, uma dívida que o governo não pode contrair agora. Porém, sem essa outra obra, o investimento de US$ 1 bilhão continuará sendo inútil. 

Agora, há quem diga que o governo deva terminar a rodovia de uma vez — para que ela seja útil, pelo menos —, enquanto os críticos denunciam o impacto ambiental e as várias suspeitas de corrupção nas obras. De todo modo, fica para nós a lição de calcular se o dinheiro vai ser suficiente antes de começar alguma coisa. 

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