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Viaje no tempo com o trem de luxo do ditador da Iugoslávia

Você provavelmente sabe a história, mas é sempre interessante dar um contexto: na Guerra Fria, o mundo se dividiu em dois lados bem distintos: os capitalistas, na esfera de influência dos Estados Unidos, e os comunistas, aliados da União Soviética. A Iugoslávia era comunista, mas o presidente Josip Broz Tito consegui manter o país relativamente neutro ao longo de todo o conflito, com boas relações também com países ocidentais. 

Toda questão histórica é complexa — dificilmente alguém é 100% mocinho ou bandido —, mas Tito é uma figura ainda mais difícil de analisar. 

Fonte: Wikimedia CommonsFonte: Wikimedia Commons

Por um lado, as condições de vida da Iugoslávia eram melhores que a maioria dos outros países comunistas. Todos eram livres para sair e voltar, sem coisas como o Muro de Berlim, e as pessoas podiam confortos "ocidentais", como carros. Em contrapartida, Tito governou sem concorrência por mais de três décadas, perseguiu opositores e criou um culto à sua personalidade, seguindo a cartilha dos ditadores. 

Sua relação com a maior parte dos outros líderes mundiais — de ambos os blocos — era boa. Quem não gostava nenhum pouco de Tito era Stalin. Diz a lenda que Tito cansou de saber que Stalin mandava matadores para dar cabo dele e enviou uma carta bem direta para o ditador soviético: "Eu já capturei cinco deles. Se você não parar de mandar assassinos, eu vou mandar um para Moscou. E eu não precisar mandar um segundo". 

O trem da diplomacia

Outro ponto controverso sobre Josip Tito é que ele usou seu poder para garantir uns mimos para si mesmo — o que nos leva ao assunto principal dessa matéria. O ditador mandou construir um trem de luxo, em 1959. Ele usava o trem para viagens em família para a Croácia (que fazia parte da Iugoslávia), bem como para reuniões diplomáticas.

Entre os convidados VIP que viajaram com Tito no trem estão a Rainha Elizabeth II, o líder palestino Yasser Arafat, e os presidentes franceses Charles de Gaulle e François Mitterrand. O trem também recebeu estrelas do cinema, como Elizabeth Taylor e Sophia Loren, além de levar o caixão de Tito para aquele que foi o maior funeral de estado na história. 128 delegações, de ambos os blocos da Guerra Fria, foram se despedir de Tito, de Saddam Hussein e Kim Il-Sung ao príncipe Philip e Margaret Thatcher.

Fonte: Messy Nessy ChicFonte: Messy Nessy Chic

Fonte: Messy Nessy ChicFonte: Messy Nessy Chic

As acomodações estavam ao nível dos convidados: havia um confortável salão para reuniões, apartamentos para as visitas nos vagões-dormitório, um bar decorado com temática astrológica, uma cozinha central e um vagão-restaurante, onde eram feitos jantares refinados. Todos os ambientes tinham arquitetura Art Deco e o suprassumo da tecnologia de meados do século XX. Olhar as fotos do trem de Tito é como fazer uma viagem no tempo para os anos 50 ou 60. 

Fonte: Messy Nessy ChicFonte: Messy Nessy Chic

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Após a morte de Tito, em 1980, vários outros políticos se alternaram em presidências coletivas, até o início da separação da Iugoslávia, na década de 90. O trem de luxo do antigo ditador continua bem-conservado, guardado nos arredores da capital, Belgrado.

Ele não é mais utilizado para viagens e uma das razões é seu alto custo de operação. Porém, ele está disponível para locação e é promovido pela Comissão de Cinema da Sérvia como local de filmagens para produtoras. 

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