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Doomscrolling: a biologia do cérebro por trás dessa compulsão

Mesmo que você não conheça esse termo, possivelmente, você passou por essa situação, principalmente na pandemia. O doomscrooling, em livre tradução, poderia expressar “rolagem da desgraça” e é um comportamento de compulsão de ler más notícias em redes sociais ou sites.

O termo passou a ser utilizado em março de 2020 e  foi eleito uma das Palavras do Ano pelo Dicionário Oxford. Na pandemia a situação se intensificou, pois muitos usuários passaram a consumir incessantemente cada boato ou informação sobre a doença, transmissão e tratamento. 

As pessoas tendem a ter o que é chamado de viés de negatividade quando se trata de informação. (Fonte: Freepik/Reprodução)As pessoas tendem a ter o que é chamado de viés de negatividade quando se trata de informação. (Fonte: Freepik/Reprodução)

Um artigo publicado na Science Direct trouxe informações sobre as áreas e células específicas do cérebro que se tornam ativas quando um indivíduo se depara com uma escolha entre aprender e se esconder acerca de dados de um evento indesejado, que provavelmente o leitor não tem como se prevenir.

O que a pesquisa descobriu?

A pesquisa realizada por neurocientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em Saint Louis, percebeu que o estilo de vida que levamos pode estar redefinindo os circuitos dos nossos cérebros. Em 2019, estudando macacos, os pesquisadores notaram duas áreas do cérebro envolvidas no rastreamento da incerteza sobre eventos antecipados positivamente. Isso fazia com que os primatas buscassem informações sobre o que poderia ocorrer. Dos eventos negativos os pesquisadores ainda não tinham certeza. 

Para validar a hipótese, os estudiosos ensinaram os macacos a reconhecerem quando algo desagradável estava prestes a acontecer. Por meio de símbolos, os macacos saberiam se um jato de ar seria lançado sobre eles ou não. Com o aprendizado estabelecido, os animais foram testados e avaliados.

O cérebro pode ser ativado em áreas distintas para escolher se quer saber ou não sobre possibilidades negativas. (Fonte: Freepik/Reprodução)O cérebro pode ser ativado em áreas distintas para escolher se quer saber ou não sobre possibilidades negativas. (Fonte: Freepik/Reprodução)

A descoberta é que as atitudes de informações sobre eventos negativos podem ser bidirecionais. Ou seja, as duas atitudes podem ser guiadas por processos neurais diferentes. No momento da decisão, uma área do cérebro foi ativada, o córtex cingulado anterior, que decodifica informações sobre possibilidades boas e ruins separadamente. Na outra área que foi ativada, o córtex pré-frontal ventrolateral, que contém células individuais, há momentos de aceitação apenas para possibilidades positivas e outros momentos em que ambos os cenários são aceitos.  

Portanto, embora os estudos não tenham analisados seres humanos, já é possível entender que a busca incessante por informações ruins pode ser contraposta com a busca de opções mais positivas. Essas descobertas lançam luz sobre processos subjacentes às condições psiquiátricas, como ansiedade e depressão, e ajudam na compreensão de como lidar com o excesso de informação.

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