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Vitória-régia: extremamente bela, planta também é comestível

Se você é brasileiro, muito provavelmente já ouviu falar na maior planta aquática do país: a vitória-régia. O que muitas pessoas não sabem, entretanto, é que essa planta de beleza única também pode servir como alimento, figurar em saladas e possui características de sabor muito parecidas com uma endívia.

Sementes, flor e talo de espinhos são as partes principais da vitória-régia aproveitadas pela culinária nacional. Característica da região amazônica em lagos e lagoas de água parada e rasa, a planta aquática de quase 2 metros de diâmetro costuma flutuar com as suas largas folhas e pode sustentar um peso de até 40 kg.

Aproveitamento da vitória-régia

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Quando o assunto é culinária, o rizoma da vitória-régia se transforma em um tipo de batata chamado de cará- d'água, suas sementes explodem em alta temperatura basicamente como pipocas e o seu pecíolo suculento e crocante pode até virar uma receita semelhante ao espaguete.

O formato da planta lembra tanto um tacho de fazer farinha de mandioca que em algumas regiões ela também é apelidada de planta forno-de-jaçanã ou forno-de-jacaré. Enquanto estudavam para escrever o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), os pesquisadores Harri Lorenzi e o Valdely Kinupp descobriram referências do uso da vitória-régia na culinária por populações indígenas no passado.

Segundo a dupla, atualmente existem cerca de 351 espécies de plantas comestíveis que não são encontradas em grandes mercados. Inclusive, receitas envolvendo o uso de vitória-régia não são comuns em territórios brasileiros, onde nem mesmo as comunidades amazônicas parecem ter levado essa tradição para frente.

Características da planta

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Com crescimento muito acelerado, as vitórias-régias tem sua população controlada em alguns locais. No Jardim Botânico Plantarum, em São Paulo, os cabos das plantas aquáticas constantemente precisam ser cortados e jogados fora porque não param de crescer. Caso nada fosse feito, não existiria espaço para os 25 exemplares fixados no lago.

A partir desse descarte, alguns produtores podem aproveitar para comercializar partes da planta para o mercado culinário. Para compreendermos o uso da vitória-régia, precisamos definir sua anatomia nos seguintes elementos:

  • Folha: parte mais evidente das vitórias-régias, é a única parte que não pode ser comida
  • Sementes: estouram em calor alto e viram pipoca, possuem sabor mais adocicado e marcante que o milho
  • Pecíolo, cabo ou talo: é a parte da flor cheia de espinhos, que precisam ser removidos para consumo. Pode ser preparado como picles, espaguete ou até mesmo em doces cristalizados.
  • Rizoma: também chamado de cará-d'água ou cará-do-rio, sua retirada implica na morte da vitória-régia e pode ser comida como se fosse um cará. 
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