Seja o primeiro a compartilhar

Em 1899, foi criado um Centro de Desinfecção de pessoas em Londres

Bem no início do século XIX, em Londres, contrair alguma doença poderia ser uma experiência extremamente invasiva e mortal, porque as pessoas, com frequência, não conseguiam ser submetidas a tratamentos eficazes. Desse modo, para evitar a proliferação de doenças, o município tinha o direito legal de entrar na casa de uma pessoa infectada e desinfetá-la de cima a baixo, desde a mobília até as roupas. 

Nesse sentido, a Estação de Desinfecção de Hackney foi criada em 1899 como uma forma de manter a população saudável e protegida das doenças que assolavam o bairro, como varíola, difteria, escarlatina, sarampo e tosse convulsa.

Só em 1899, cerca de 116 moradores de Hackney morreram de sarampo, 47 crianças sucumbiram à coqueluche e mais 252 perderam suas vidas para a difteria. O índice de mortalidade infantil da época era de 165 para cada mil nascidos vivos.

A máquina de limpeza

(Fonte: My Droll/Reprodução)(Fonte: My Droll/Reprodução)

Em 1892, quando um comitê sanitário municipal alegou que a estação de desinfecção de Hackney era "ineficiente para as exigências do distrito" devido ao seu tamanho inicial modesto, John King Warry, médico oficial de saúde de Hackney, apressou-se e fez uma campanha para a criação de uma estação de última geração — que incluiria até acomodações para as pessoas durante as inspeções.

Amparado por uma nova legislação nacional que permitia à sua equipe gastar o que quisesse para limpar pessoas e residências "infestadas de vermes", Warry construiu um complexo de três edifícios que custou cerca de 1,25 milhões de euros, com direito a caldeiras, lavanderias, galpões, bem como salas de passar e secar.

(Fonte: Breakin News/Reprodução)(Fonte: Breakin News/Reprodução)

As pessoas infectadas e seus pertences entravam por um lado da estação, passavam pelo processo de desinfecção a vapor e saíam pelo outro lado. Muitas recebiam intensos banhos de enxofre para tratar sarna e outras doenças.

“Muitas autoridades de saúde, além de terem hospitais de isolamento, expressaram o desejo de construir essas estações de desinfecção para erradicar germes, bactérias e outros tipos de agente contagioso”, disse Graham Mooney, historiador de Medicina na Universidade Johns Hopkins.

O último uso

(Fonte: The Smithsonian/Reprodução)(Fonte: The Smithsonian/Reprodução)

Em 1902, após um ano inteiro de operação, a estação de Hackney havia fumigado 2.838 quartos, dos quais 1.009 tiveram as paredes lavadas com uma solução carbólica. No mesmo ano, segundo o relatório anual do Departamento de Saúde de Hackney, mais de 24.226 móveis, roupas de cama e vestes foram desinfetados na estação.

A partir da década de 1930, com o surgimento de vacinas e antibióticos que combatiam de maneira eficaz as doenças infecciosas, o complexo passou a abrigar moradores sem-teto para a limpeza das favelas.

Trinta anos mais tarde, a estação foi destinada à desinfecção de livros, para prevenir surtos de doenças entre as famílias, e também de roupas usadas antes de serem exportadas para outros países.

O centro de desinfecção de Hackney foi desativado definitivamente em meados de 1984.

Você sabia que o Megacurioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.

Comentários

Você já percebeu que passamos por algumas mudanças por aqui, né? Uma delas é melhorar também o nosso campo de comentários - e nada melhor do que você, nosso leitor, para nos ajudar e garantir que a gente esteja no caminho certo. Substituímos temporariamente nossos comentários por uma pesquisa rápida para implementarmos mais uma melhoria. Como você acredita que nossa interação pode ser mais próxima aqui?

CLIQUE AQUI PARA RESPONDER