Cérebro humano com olhos rudimentares é cultivado em laboratório

Pesquisadores do Hospital Universitário de Düsseldorf, na Alemanha, entraram para a história após desenvolverem um cérebro rudimentar com olhos funcionais a partir de experimentos com células-tronco pela primeira vez na ciência. Essas estruturas se mostraram capazes não só de sentir a luz ao seu redor, mas também de transmitir essa informação para o resto do organismo.

Publicado na revista Cell Stem Cell, o estudo espera poder mostrar como ocorre a interação cérebro-olho durante o desenvolvimento de um embrião. Além disso, os pesquisadores esperam que esses organoides cultivados em laboratório possam ser usados para o desenvolvimento de medicamentos personalizados e terapias de transplante para pessoas com distúrbios retinais congênitos.

Cultivando cérebros

(Fonte: Hospital Universitário de Düsseldorf)(Fonte: Hospital Universitário de Düsseldorf/Reprodução)

Antes de conseguirem desenvolver esses olhos rudimentares, os pesquisadores alemães receberam a doação de células-tronco humanas que posteriormente foram cultivadas em uma placa de Petri. Então, essas células foram desenvolvidas em organoides cerebrais, de onde os olhos simétricos brotaram após algum tempo.

Esse é considerado um enorme passo para que os cientistas consigam compreender o cérebro humano. Mesmo assim, diversas questões permanecem obscuras e indecifradas, dado a complexidade do processo. Por isso, o cultivo do órgão é uma forma dos pesquisadores analisarem o órgão de maneira mais abrangente. 

As células-tronco cultivadas se desenvolveram para células cerebrais dentro de 30 dias e amadureceram em cérebros minúsculos com estruturas oculares rudimentares por volta do 50º dia. Por mais que esse processo por si só já representasse um avanço científico, o fato que mais chamou a atenção dos cientistas é que os olhos realmente tinham a habilidade de enxergar.

Olhos rudimentares

(Fonte: Hospital Universitário de Düsseldorf)(Fonte: Hospital Universitário de Düsseldorf/Reprodução)

Esses pares primitivos de olhos mantinham uma ampla variedade de tipos de células da retina e conseguiram formar redes neurais capazes de se comunicar com o cérebro, assim como o que acontece com o cérebro humano real. Essa é a primeira vez na história que a comunicação das fibras nervosas da retina com o cérebro é estudada in vitro. 

Essa façanha pode fazer com que a ciência esteja mais apta a melhorar os diagnósticos relativos a problemas nos olhos para o futuro. Vale ressaltar que, apesar das similaridades com as estruturas presentes em nossos organismos, os cérebros rudimentares cultivados em laboratório não apresentam emoções ou pensamentos.

Justamente por isso, o objetivo primário desses experimentos é conseguir observar o desenvolvimento do cérebro humano sem necessitar de uma pessoa viva para isso. Para a próxima etapa, os organoides continuarão em maturação para ver até que ponto eles serão capazes de se desenvolver. 

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