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Incidentes com lixo espacial estão preocupando cientistas

Após a explosão de um antigo satélite russo, quando um teste de armas realizado por autoridades do país deixou mais de 1500 fragmentos rastreáveis à deriva no espaço, cientistas da Estação Espacial Internacional (ISS) estão demonstrando preocupação com a quantidade de lixo cósmico produzida, afirmando que equipamentos de alto poder de processamento que orbitam os entornos terrestres podem ser destruídos e ter suas operações comprometidas.

(Fonte: Reprodução)

Segundo administradores da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), o chamado teste antissatélite (ASAT), lançado pelo governo russo a algumas centenas de quilômetros de Moscou e projetado para cumprir exatamente aquilo que seu nome propõe, pode ter aumentado a quantidade total de lixo espacial — incluindo pedaços descartados de foguetes e satélites na órbita terrestre — em até 10%.

Em nota, o evento da destruição do espião Kosmos-1408 — inativo oficialmente desde a década de 1990 —, foi considerado “imprudente e perigoso” e uma afronta à paz espacial, abrindo espaço para que mais casualidades atrasem as tratativas de limpeza para além da atmosfera.

“Estou indignado com essa ação irresponsável e desestabilizadora. Com sua longa e marcante história em voos espaciais humanos, é impensável que a Rússia ponha em perigo não apenas os astronautas americanos e parceiros internacionais da ISS, mas também seus próprios cosmonautas”, disse Bill Nelson, da NASA, em comunicado, acreditando que o caso também colocou em perigo as pessoas que estavam a bordo da estação espacial chinesa de Tiangong.

“Não acho que você possa exagerar o perigo dos detritos espaciais a este ponto”, completou Wendy Whitman Cobb, professora da Escola de Estudos Aéreos e Espaciais da Força Aérea dos Estados Unidos. “À medida que você cria mais detritos, as chances de eles atingirem outras coisas e criar mais detritos apenas aumentam.”

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Atualmente, os destroços do Kosmos-1408 correm a mais de 27 mil quilômetros por hora e passam a cada 90 minutos pelas imediações da Estação Espacial Internacional, mas não representam ameaça para os especialistas que se hospedam na instalação. Porém, o caso alerta sobre os riscos dos sistemas ASAT e a importância da preservação do ambiente espacial, principalmente por ser um local que abriga tecnologias de vários países.

O problema do lixo espacial

Desde a assinatura do Tratado do Espaço Sideral em 1967, que determina as boas relações em relação à exploração espacial e impede atitudes reivindicatórias, os países continuam detendo a responsabilidade por suas tecnologias e se veem no direito de utilizá-las da forma como bem entendam, seja na geração de benefícios globais ou no simples extermínio, como houve com o satélite russo. 

(Fonte: Townsville Bulletin / Reprodução)(Fonte: Townsville Bulletin/Reprodução)

Desde então, com a facilidade de localização dos objetos espaciais e com a falta de consenso sobre penalidades para a criação de lixo cósmico, mais de 100 milhões de fragmentos maiores que um milímetro² continuam vagando por fora do planeta, com mais de 27 mil deles sendo potenciais ameaças para equipamentos e estações por conta da absurda velocidade que alcançam.

“De várias maneiras, este é o mesmo tipo de problema, uma questão ambiental com a qual temos lidado na Terra de muitas, muitas formas”, disse Akhil Rao, economista do Middlebury College. “Nós lutamos com o colapso da pesca, lutamos com a poluição atmosférica [e] lutamos com a redução da camada de ozônio.”

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